Assim se escrevia, em caracteres gregos, (a lingua do Novo Testamento), o nome da igreja de Jesus, no tempo dos apóstolos: Ekklesia Iesous Cristos (Assembléia de Jesus Cristo).

"Antes crescei na graça e no
conhecimento de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo"
(II Pedro 3:18)
 
 
 
   

Natal a 25 de dezembro:
DE ONDE VEIO ESSA DATA?
   
                                                             Otto Amaral (*)       


    Recomendamos que você leia, antes deste, o artigo QUANDO NASCEU JESUS? Ele oferece informações conclusivas sobre o fato de que Jesus não nasceu a 25 de dezembro.

    Não há estudioso sério ou mesmo leigo interessado no assunto, que ainda defenda a data de 25 de dezembro como aquela em que nasceu Jesus Cristo. O argumento preferido pelos que demonstram indiferença quanto às comemorações natalinas nessa data, é que “é impossível mudar-se agora aquilo que já é tradição há séculos, em boa parte do mundo”. Outros dizem que ”esse dia é tão bom quanto qualquer outro para a comemoração, pois o importante é homenagearmos a Jesus”. Seriam aceitáveis esses argumentos?

    É fato que o dia 25 de dezembro, desde milhares de anos antes do nascimento de Jesus Cristo, já era uma data festiva importante e ativamente festejada. Mas, festejada por quem? O que ela representava? Como e porque foi ela transformada na data comemorativa do nascimento de Jesus?

    As respostas a essas questões, como veremos a seguir, demonstram que não foram simples coincidências históricas que influíram na mudança e que ela encontra restrições absolutas nas Escrituras, especialmente do pretenso homenageado, Jesus Cristo. O importante para nós é descobrir as conseqüências da escolha dessa data para o povo do Senhor e o que existe por trás desse quadro que tem levado milhões de pessoas, há séculos, a adorar, honrar e glorificar (mesmo que não intencionalmente), a um ídolo pagão - e não a Jesus Cristo!

    Todos sabem, especialmente no mundo ocidental, que o Natal se comemora todos os anos, a 25 de dezembro. A época festiva é feriado, na maioria dos paises do Ocidente. As árvores enfeitadas e os presépios são lindos. Calorosos são os banquetes familiares, as visitas de casa em casa e a trocas de cumprimentos. Carinhos e presentes são trocados e os corais cantam melodias próprias da época. Entre nós, a figura rotunda e risonha do Papai Noel, que parece um santo homem, é obrigatória. Tudo isso, tendo como justificativa a comemoração do nascimento do menino Jesus.

    Porém, vamos retroceder no tempo, para bem antes do nascimento de Jesus – vamos voltar para 4.000 anos antes de nossos dias! Estamos na Mesopotâmia, onde vamos encontrar, no calendário vigente, no dia correspondente ao nosso 25 de dezembro, uma festividade exatamente igual à descrita acima – 2.000 anos antes do nascimento de Jesus Cristo! Aliás, as festas “natalinas”, naquela época, começavam a 25 de dezembro e duravam 12 dias. Era a mais importante data do calendário religioso e social de então. Ela representava a renovação do mundo para o novo ano. Nesse festival, chamado Zagmuk, celebrava-se o sucesso do deus Marduck, em sua luta contra as forças do caos, durante o ano que findava.

    Em nossa viagem no tempo, vamos avançar 600 anos. Agora estamos em 1.400 a.C. (antes de Cristo). Foi mais ou menos nessa época, que os partidários do mitraísmo (religião surgida na Babilônia e região), passaram a celebrar o nascimento de seu deus, Mitra. E que data eles escolheram para isso? A da festa já existente e que corresponde, no nosso calendário, a 25 de dezembro!

    Mitra assumiu nomes ligeiramente diferentes, dependendo do país onde era cultuado – entre os nórdicos e saxões, por exemplo, foi Mehr. Trazido para Roma pelos soldados que lutaram na região da Babilônia, que o escolheram como protetor, Mitra chegou a ser um dos principais deuses do panteão romano, a partir do primeiro século antes de Cristo. Importantes nomes do Império, como Pompeu, eram devotos de Mitra.
As primeiras referências a Mitra na literatura sânscrita e persa datam de cerca de 1.400 a.C., como um deus-sol ariano.

A liturgia do culto a Mitra pode ser vista hoje

    Os seguidores de Mitra acreditavam que seu deus nascera no solstício de inverno (época em que o sol, parando de se afastar do equador, começa a se reaproximar), o que ocorre normalmente a 25 de dezembro, no Calendário Juliano. O Imperador Aureliano, adepto do mitraísmo, oficializou, por decreto, esse dia como o do nascimento de Mitra, aproximadamente no ano 270 da Era Cristã.

 

                        

A representação de Mitra matando o touro sagrado era copiada
pelos adeptos, como sendo portadora de poderes de proteção. Muitas vezes ela era circundada pelos doze signos astrológicos do zodíaco.

 

    O líder dos mitraístas era chamado “papa”. Dirigindo-se às lideranças de Sua igreja em Mateus 23:9, Jesus expressamente proibiu que usasse essa designação, assim como a de “padre” (ambas, significando pai). O sacerdote-chefe mitraísta usava uma mitra, como símbolo de sua autoridade, como o fazem ainda hoje o papa, os bispos, arcebispos e cardeais católicos. Vestia também um manto vermelho e trazia um anel e um cajado de pastor.

    Esse líder exercia sua autoridade das colinas do Vaticano, em Roma. O culto mitraísta celebrava as sacramenta, (com a consagração do pão e do vinho), numa cerimônia denominada Myazda, cujo ritual podemos observar integralmente ainda hoje, pois corresponde exatamente à liturgia da Missa católica. Nesse culto eram cantados hinos e usavam-se sinos, velas, incenso e água benta. O Imperador Constantino, mesmo sendo  fiel seguidor de Mitra, decretou oficialmente, em 313 da nossa era, que o dia 25 de dezembro seria a data do nascimento de Jesus. Não obstante sua crença em Mitra, Constantino precisava, por motivos políticos, unificar e pacificar seu império e o caminho melhor para isso lhe pareceu a criação de uma maior unidade religiosa em seus domínios, aumentando, ao mesmo tempo, sua autoridade também nessa área. Assim, convocou as lideranças dos vários cultos da época e estabeleceu com elas acordos, nos quais concedia “favores” gerais, em detrimento de concessões de cada um. Assim, o autentico e crescente cristianismo do povo, começou a sofrer um forte e acelerado processo de deformação, ao ser misturado a outras crenças. As doutrinas, sem nenhuma base nas Escrituras,  resultantes do processo que se desencadeou a partir de Constantino, redundaram no surgimento de uma igreja deformada, que foi imposta à força, inclusive à custa da vida de muitos cristãos verdadeiros, torturados e queimados nas fogueiras da Inquisição. Constantino foi  batizado em  seu  leito  de  morte, alegam os que o assistiram em seus últimos momentos. Mesmo sendo verdadeira essa afirmação, ainda somos levados a pressupor que sua verdadeira crença, durante todo resto de sua vida, permanecera em Mitra. Após a Reforma, parte dessas deformações e acréscimos foram extirpados, mas muitos ainda subsistem – como a comemoração do nascimento de Jesus a 25 de dezembro!

Dos Césares aos nossos dias

   Na Roma antiga, era também a 25 de dezembro que se davam as festas dedicadas a Saturno, chamadas saturnálias. Dizia a mitologia romana que Saturno havia sido um deus que implantara a Era de Ouro, algo como um paraíso, mas havia sido destronado por seu filho Júpiter. As festividades das saturnálias também englobavam o hábito de presentear. De acordo com Macrobius, as festividades originalmente duravam apenas um dia. Porém, outro cronista, Novius, as descreve como se estendendo por sete dias. Com a mudança do calendário, por César, as festas tiveram sua duração aumentada.

    No hemisfério Norte, o solstício de Inverno acontece entre 22 e 23 de dezembro, época do maior afastamento do sol. Do dia 25 em diante, dizem os adoradores da Natureza, o sol estaria “renascendo”, daí as festividades nessa data, comemoradas até hoje pelos remanescentes druidas, pelos wiccans e outras seitas pagãs adoradoras da Natureza, que existem e crescem rapidamente, inclusive no Brasil.

                             

              Escultura do Imperador Constantino, que introduziu deformações no
                        cristianismo, muitas das quais persistem até hoje.

 

    Pelas evidências, pode-se dizer que o culto que se oficializou em Roma, a partir do ano 313 da Era Cristã, por decreto de Constantino, era uma versão do mitraísmo então imperante, com enxertos de origem cristã. Por motivos políticos (o povo, em sua maioria e alguns integrantes da nobreza eram cristãos), foi adotada para o novo culto a denominação de cristianismo. Isso não ofendia aos interessses dos mitraístas, de vez que sua religião, diferentemente do cristianismo, era um culto iniciático, isto é, os adeptos iam tendo acesso a ensinamentos e práticas secretos, na medida de seu desenvolvimento dentro da seita. Na verdade, eram 7 os graus de iniciação mitraísta. Assim, não haveria interferência dos cristãos (neófitos, isto é, não iniciados nos mistérios de Mitra) nos cultos desse deus. Isso, pela simples razão de que os cristãos sequer teriam consciência de que não era a Jesus que se adorava naquele local, com aquela liturgia, mas sim a um deus pagão. Posteriormente, esse processo sincrético (processo de fusão de elementos culturais e filosóficos de origens diferentes e muito diversos entre si), no qual várias religiões se misturavam, condicionou modificações que redundaram praticamente em um novo culto. A influência mais marcante aparentemente foi a mitraísta, provavelmente por ser a fé praticada pelas elites e por estar esse poderoso clero já então fortemente instituído e operante nas colinas do Vaticano, em Roma. Não obstante as deformações introduzidas, que chegaram a descaracterizar o cristianismo, durante esse processo e especialmente nos séculos da Idade Média, muitos foram os cristãos que se mantiveram fieis a Jesus e aos Seus ensinamentos, no mais das vezes pagando por isso com a própria vida.

    A religião oficial do Ocidente, com todo seu praticamente incontestado poder foi, até a Reforma, a igreja Católica Apostólica Romana, o fruto direto do decreto de Constantino e da mistura que ele oficializou.

    Essa tendência sincrética, de agregar elementos de outras fontes, como forma de manter a igreja popular e mais facilmente aceita pelo mundo, pode ser hoje observada com clareza nas denominações, incluindo-se muitas evangélicas, que criam contrafações ou sucedâneos teológicos e litúrgicos, dos quais surgem festividades, comemorações e até ”santos” de origens espúrias - vejam-se as “festas juninas”, “lavagem de igrejas”, “o dia de Cosme e Damião”, o Halloween e, claro, a festa de 25 de dezembro de que tratamos especificamente.

Dando razão aos pagãos

    Existe hoje uma infinidade de cultos e seitas pagãs, inclusive no Brasil. São adoradores da natureza e de suas forças e manifestações. Nos países do hemisfério norte, onde a maioria delas é difundida há milhares de anos, elas são mais presentes e organizadas. Os druidas, com seus monólitos de Stonehenge, estão vivos, espalhados em várias seitas ligeiramente diferentes umas das outras. Os wiccans, outro culto pagão, também tem presença significativa entre os cultores da natureza. Poucos percebem que o paganismo tem organizações e entidades estruturadas e que defendem seus pontos de vista religiosos (essas organizações são seitas, ou religiões, com todas suas características), muitas vezes atacando entidades e grupos de crenças diferentes das suas, incluindo-se aqui o cristianismo. Embora o caráter exclusivista não seja uma das características principais desses cultos, eles agem normalmente com coerência, ao reivindicar como suas as criações mitológicas, os ritos e crenças que, realmente foram criados por eles. Assim, temos que dar razão aos pagãos, quando eles reivindicam as festividades  de  25  de  dezembro como criadas por eles e fazendo parte de seu culto. Além desse acontecimento, o Natal, de que nos ocupamos aqui, muitas outras coisas existem hoje nos cultos chamados cristãos, que não são bíblicos e que histórica e indiscutivelmente são pagãos. A eles, devolvamos sua herança!

Bem vivos, ainda hoje!

    Quando se fala em festividades como as saturnálias, em deuses como Saturno, Juno e Sol, em soltícios e outros personagens e eventos idênticos, somos levados a pensar num passado remoto, a encarar isso tudo como motivos fazendo parte de uma história já vivida. Imaginamos que, na era dos computadores, das viagens espaciais e da bioengenharia, esses cultos já não teriam seguidores. Puro engano! Uma maneira fácil de comprovar isso é acessar, na Internet, os milhares de sites dedicados aos assuntos relacionados ao paganismo. Traduzimos e reproduzimos abaixo trechos recolhidos de um site, em inglês, o circlesantuary.org. A escolha desse site não foi proposital – chegamos a ele ao acaso, ao pesquisar o assunto.

    A “sacerdotisa” do site parece ser uma figura importante na Circle Santuary Community (Comunidade do Santuário do Círculo) e se chama Selena Fox. É ela a autora do poema que traduzimos o mais literalmente possível e reproduzimos, a seguir:

   Saturnalia

   Meados de dezembro
   As noites são longas, o tempo é frio, o inverno vem

   Celebrações acontecem
   Renovando votos de amizade
   Visitas à família e amigos
   Trocas de presentes com os amados
   Velas, bonecas, biscoitos, doces, sagrados, ramos verdes

   Tribunais fecham. Batalhas cessam
   Folgas nas escolas e no trabalho
   Feriado

   Cantar, dançar, jogar, alegrar-se
   Comida... muita comida e bebida
   Grandes ceias e festas

   Para celebrar o Sol, a Terra, os Ancestrais, o grande Círculo da Natureza
   Para recepcionar o Inverno e o Ano Novo
   Para trazer a renovação, a paz e a alegria

   Solstício presente... solstício passado
   Esta é o legado da Saturnália,
   a semana do Festival do Pagão Solstício de Inverno da Roma antiga

   Sataurnália, seu espírito e tradições vivem
   no mundo hoje
   nas ceias de Natal e e nas festa de Ano Novo
   na nossa celebração do Solstício de Inverno esta noite.

   Abençoada nossa união com os ancestrais.
   Abençoada nossa união uns com os outros.
   Abençoada nossa união com as futuras gerações.

   Nós nos rejubilamos.
   Viva, Saturnália!
   Viva, Saturnália!
   Viva, Saturnália!

   (Por Selena Fox, Solstício de 1994, Madison, Wisconsin)

    Atente para o antepenúltimo verso, que diz “Saturnália, seus espírito e tradições...” e veja que os neo-pagãos externam com alegria a consciência de que a data de 25 de dezembro, embora sendo de origem pagã, vive (persiste, tem continuidade) nas festividades do Natal cristão.

    A César, o que é de César – ao mundo, o que é dele! Eis o motivo: 

DEUTERONÔMIO [12]
    
    28 Guarda e cumpre todas estas palavras que eu te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos, depois de ti, para sempre, quando fizeres o que é bom e reto aos olhos do Senhor, teu Deus.
    29 Quando o Senhor, teu Deus, eliminar de diante de ti as nações, para as quais vais para possuí-las, e as desapossares e habitares na sua terra,
    30 guarda-te não te enlaces com imitá-las, após terem sido destruídas diante de ti; e que não indagues acerca dos seus deuses, dizendo: Assim como serviam estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu.
    31 Não farás assim ao Senhor, teu Deus, porque tudo o que é abominável ao Senhor e que ele odeia fizeram eles a seus deuses, pois até seus filhos e suas filhas queimaram aos seus deuses.
    32 Tudo o que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás nem
diminuirás.

Amém!

 

(*) Otto Amaral – Otto Amaral, residindo presentemente em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná, tem dedicado os anos mais recentes ao estudo e à divulgação dos assuntos relacionados às igrejas domiciliares, em especial os relativos à restauração das práticas neo-testamentárias na igreja. Otto residiu nos Estados Unidos, onde estudou no Jubilee Fellowship Training Center, de Pensacola, Flórida e é ordenado pelo The Light Christian Ministry, de Marion, Iowa e pelo Universal Ministries, de Milford, Illinois. Otto é o organizador e o responsável por este site. Comunique-se com ele através da opção CONTATO, na página inicial.

 

 
 
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      Atualização de 15 de setembro -
    LEIA O NOVO ARTIGO:

   - QUEM MATOU JESUS?

    Interessante estudo sobre as pessoas e
     as entidades que, no plano terreal, foram
     instrumentos na concretização do drama
     do Calvário.
     Análise bíblica e jurídica do processo for-
     jado contra Jesus para levá-lo à morte.
     E se Ele voltasse hoje, nas mesmas con-
     dições, como seria?
     Quem quereria matá-lo de novo?

     ____________________________

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     Solicitamos, porém, que sejam      mencionados seu endereço eletrônico, o      título e o autor da matéria.