Assim se escrevia, em caracteres gregos, (a lingua do Novo Testamento), o nome da igreja de Jesus, no tempo dos apóstolos: Ekklesia Iesous Cristos (Assembléia de Jesus Cristo).

"Antes crescei na graça e no
conhecimento de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo"
(II Pedro 3:18)
 
 
 
   

O MINISTÉRIO DOS ANCIÃOS
                                                        Steve Atkerson (*)

 

Eu demonstrei anteriormente neste livro (referência ao livro Ekklesia, do qual este artigo é parte) que o governo ideal para a igreja é aquele exercido por consenso de toda a congregação e que as igrejas devem ser mais lideradas pelos anciãos do que governadas por eles. Se esse for realmente o caso, serão os anciãos realmente necessários numa igreja? Em que função eles devem servir?

VANTAGENS DE TER ANCIÃOS

    Seria cometer um erro crasso alguém concluir que os anciãos não são importantes para a vida da igreja. Paulo alertou que “entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29). Alguns lobos são sistemáticos, outros promovem falsas doutrinas e ainda outros praticam imoralidades. Muito comumente, igrejas domiciliares sem anciãos qualificados acabam caindo em algum tipo de doença. Ninguém assume a responsabilidade da liderança. Não existe ninguém com visão para indicar direção. As coisas simplesmente rolam por inércia. O discipulado é mínimo. Em muitos casos, tudo se transforma numa situação de cegos guiando cegos. A ignorância generalizada torna-se norma no “ensinar”. Pecados evidentes são negligenciados. Problemas sociais não recebem tratamento. A igreja pode se tornar vulnerável a lobos em peles de cordeiro.

    Na batalha de Midway, durante a Segunda Guerra Mundial, um solitário esquadrão de aviões torpedeiros (o VT-8) do porta-aviões Hornet atacou a frota de invasão japonesa. Tragicamente, foi ordenado ao esquadrão que atacasse sem escolta de aviões de caça. Como a carga da Brigada Ligeira, o ato foi suicida - apenas um piloto  sobreviveu. Os anciãos são para as igrejas o que os caças americanos deveriam ter sido para os aviões torpedeiros: a proteção.
Um importante ministério que os anciãos exercem é a defesa contra os lobos selvagens. Por exemplo, são os anciãos que “refutam” àqueles que se opõem à sã doutrina (Tito 1:9).

    A realidade da situação é que as igrejas domiciliares não são ainda a principal corrente no cristianismo ocidental. Dessa forma, elas provavelmente atrairão todos os hereges desgarrados, os rebeldes e os desajustados sociais do país. Sem os anciãos permanecendo nos portões para interceptar essas pessoas e tratar com elas, a igreja domiciliar é particularmente vulnerável a abusos, discussões, frustrações e até à desagregação.

     Além de rechaçar os lobos, os anciãos servem ao corpo de várias outras maneiras. Em muitos aspectos, uma igreja sem um ancião é muito parecida com uma família sem um pai. Anciãos qualificados oferecem direção, ensino, disciplina, exemplo e a guarda da verdade (Atos 20:25-31, Efésios 4:11-13, 1 Tito 1:3, 3:4-5, 5:17 e 6:20, 2 Timóteo 1:13-14, 2:2, 2:15, 3:16-17 e 4:2-4, Tito 1:9, 1:13 e 2:15 e Hebreus 13:17). Os líderes das igrejas são homens de caráter maduro que supervisionam, pastoreiam, ensinam, equipam e treinam. Submeter-se à liderança deles, sendo-lhes submissos, deve ser objetivo buscado e alcançado pelos crentes (Hebreus 13:17).

CONSENSO DA CONGREGAÇÃO LIDERADA POR ANCIÃO

    Outro ministério muito importante provido pelos anciãos é a liderança. Todos estão de acordo que o Senhor Jesus é a cabeça da igreja (Colossenses 1:15-20). Em resumo, a igreja é uma ditadura (ou teocracia) dirigida por Cristo através de Sua Palavra escrita e da influência do Espírito Santo (João 14:25-27 e 16:12-15, Atos 2:42, Efésios 2:19-22 e 1Timóteo 3:14-15). Seguindo o mapa do fluxo organizacional desde a cabeça, para onde se dirige a linha de autoridade?
    
    Falando aos anciãos da igreja de Efésios, Paulo disse: “Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue” (Atos 20:17 e 28). O uso de termos como bispos e pastores certamente sugere uma posição de supervisão para os anciãos. Escrevendo a Timóteo sobre as qualificações para ancião, Paulo perguntou: “Se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3:5). Isso implica novamente numa função de direção pelos anciãos. Pedro pediu aos anciãos: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade” (1Pedro 5:2). Mais uma vez os anciãos são apresentados num papel de liderança.

    Em 1 Timóteo 5:17 é feita referência aos anciãos que dirigem bem os assuntos da igreja. A primeira carta aos Tessalonicenses, em  5:12, determina aos irmãos que respeitem aos que “presidem sobre vós no Senhor e vos admoestam”. Hebreus 13:7 ordena: “Lembrai-vos dos vossos guias”. Em seguida, Hebreus 13:17 acrescenta: “Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas”. Tudo isso indica que deve haver líderes humanos na igreja. Esses líderes são, na maioria dos casos, chamados de anciãos ou vigilantes, guardadores. Existem mais elementos nessa equação do que se percebe de início. Considere os passos da disciplina da igreja em Mateus 18:15-17, onde se descreve o processar de uma decisão da congregação. Veja também 1 Coríntios 5:1-5 e Gálatas 6:1. Perceba que toda a congregação é envolvida na decisão de exercer a disciplina.  Atente, ainda, para o fato de que os líderes não são especialmente escolhidos para a exposição do caso nem assumem eles mesmos o exercício da disciplina. Esta é uma decisão congregacional.

    Esse processo corporativo é também percebido em Atos 1:15-26. O apóstolo Pedro depositou, sobre a igreja como um todo,  o fardo de procurar um substituto para Judas. Em Atos 6:1-6 o apóstolo volta à “multidão dos discípulos” (6:2) e pede a eles que escolham administradores para o sistema de bem-estar da igreja. Ambos os exemplos apontam para o envolvimento congregacional.

    Paulo escreveu a “todos” (Romanos 1:7) os santos de Roma e não faz nenhuma referência especial aos anciãos. As cartas aos Coríntios foram endereçadas à “igreja” inteira (1 Coríntios 1:2 e 2 Coríntios 1:1). Novamente não há nenhuma ênfase a dirigentes. Isso é mais ressaltado quando consideramos que as cartas aos Coríntios tratam de disciplina da igreja, casamento, a Ceia do Senhor e cultos interativos. A saudação em Gálatas 1:2 é voltada para as “igrejas” da Galácia. A mensagem não foi primeiramente “filtrada” pelos líderes. Os “santos em Éfeso “ foram os receptores dessa carta (Efésios 1:1). Em Filipenses 1:1 os santos, os bispos e os diáconos foram reverenciados de forma igual, sendo que, finalmente, estes últimos foram mencionados numa saudação. Em Colossenses 1:2, a saudação foi “aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossos”. Tudo isso indica que os anciãos eram eles mesmos ovelhas. Os anciãos eram um subconjunto da igreja como um todo. Não havia distinção entre clero e leigos.

    Essa ausência de ênfase na liderança pode ser também percebida em 1 Tessalonicenses 1:1, em 2 Tessalonicenses 1:1, em Tiago 1:1, em 1 Pedro 1:1, em 2 Pedro 1:1, em 1 João 2:1 e 2:7 e em Judas 1:1. De fato, o livro de Hebreus foi escrito a um grupo de crentes e não foi senão no último capítulo que o autor pede a eles que  “saudai a todos os vossos guias” (13:24). Ele nem sequer saudou aos líderes diretamente!

    Muito mais pode ser observado da forma usada pelos escritores do Novo Testamento para apelar diretamente às igrejas inteiras. Os apóstolos não emitiam ordens nem baixavam decretos (como os comandantes militares fazem). Ao contrário, eles tratavam aos crentes como iguais e se dirigiam a eles como tal. Não há dúvida de que dirigentes de igrejas locais têm liderado da mesma forma. Sua autoridade principal reside em sua habilidade de influenciar com a verdade. O respeito que de que eles desfrutam foi conquistado honestamente. Eles são o oposto do militar, que respeitam o posto, mas não necessariamente o homem que o detém.

    Hebreus 13:7 reflete o fato de que o estilo de liderança empregado pelos líderes de igrejas é principalmente o de direção pelo exemplo: “lembrem-se de seus líderes... considerem o resultado de suas vidas e imitem sua fé”. Nessa mesma linha, 1 Tessalonicenses 5:12-13 revela que os anciãos devem ser respeitados, não em razão de autoridade inerente ao posto, mas por causa do valor de seus serviços: “os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obras”. Jesus disse: “Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles.  Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva  e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo” (Mateus 20:25-28).

    A palavra igreja é algumas vezes usada no Novo Testamento para designar a igreja universal. A maioria das ocorrências, entretanto, se refere a igrejas locais organizadas. Nenhuma igreja organizada deve ser maior do que uma simples congregação. Nenhuma igreja tem jurisdição oficial ou autoridade sobre nenhuma outra igreja (ainda que deva ser natural a cooperação e a assistência entre igrejas). Cada igreja domiciliar deve ser idealmente dirigida pelo(s) seu(s) próprio(s) ancião(s). Cada ancião é igual em autoridade a qualquer outro ancião. Não deve existir pastor sênior nem bispo presidente sobre uma cidade. Lembremo-nos de que a autoridade do líder é baseada na sua habilidade de persuadir com a verdade, que ele deve também conduzir pelo exemplo e não como dominador (1 Pedro 5:3). O método de governo da igreja é, por conseguinte, um processo dinâmico de interação, persuasão e correta afinação entre os pastores e as ovelhas.

    Os comentários de Jesus sobre liderança devem ser o ponto inicial e a referência final no nosso entendimento sobre a autoridade dos anciãos (Lucas 22:24-27). O estudioso Hal Miller muito bem observou que “os ensinamentos perturbadores de Jesus sobre autoridade entre seus seguidores contrasta com as experiências de todas as outras sociedades. Os reis dos gentios, disse Ele, comandam defendendo seus interesses e fazem com isso pareça bom para todos, proclamando a si mesmos como ‘benfeitores’. Eles exercitam seu poder e tentam (com mais ou menos sucesso) fazer com que o povo pense que isso é para o bem coletivo. Porém, não deve ser assim na igreja. Nela, ao contrário, aquele que lidera é servo e os que comandam são como os mais jovens (Lucas 22:24-27). Para que isso não perca seu impacto, você deve refletir que os mais jovens e os servos são precisamente aqueles sem autoridade no senso normal da palavra. Todavia, isso é o que é liderança, entre o povo de Jesus” (1).

    Ainda que fossem tecnicamente trabalhadores apostólicos, Timóteo e Tito claramente funcionavam como anciãos, até que os dirigentes locais fossem escolhidos. Era de se esperar que os anciãos que fossem escolhidos depois fizessem os mesmos tipos de coisas que os trabalhadores apostólicos temporários houvessem feito no nível local (1 Timóteo 1:3, 4:11 e 6:17, Tito 1:12, 2:15 e 3:10). Disso se depreende que é apropriado ao ancião, ao exercitar a liderança de servo, reprovar, falar, ensinar e guiar com autoridade. O ancião tem como competências “governar bem” e “vigiar” a igreja, tomando a iniciativa de alertar e guardar. Como um crente maduro, seu entendimento do que seja certo ou errado, em comportamento ou em doutrina, muito provavelmente será correto. Um ancião naturalmente será o mais das vezes o primeiro a detectar e lidar com os problemas. Ele deve tomar iniciativas e não meramente reagir ao que acontece. Entretanto, se aquele que ele confronta se recusa a ouvi-lo, seu recurso final é levar o assunto que o envolve a toda a igreja, de acordo com o processo de Mateus 18. Apesar de o ancião ser importante ao processo de consenso, a autoridade, no final, repousa com a igreja corporativamente (é o consenso congregacional).

    Existe um delicado equilíbrio a ser alcançado, entre o papel dos anciãos e as responsabilidades de decisão da congregação. Indo mais longe numa direção, teremos um papa; indo longe noutra direção, teremos um barco sem leme. Em essência, ambos os argumentos, para a liderança dos anciãos e para a responsabilidade corporativa de toda a igreja, são válidos. De um lado, temos os anciãos dirigindo pelo exemplo, guinado com o ensinamento e moderando a discussão do dia-a-dia da assembléia. Do outro lado, temos o rebanho. A igreja toma as decisões finais, ainda que os crentes sejam exortados a seguir seus anciãos e a permitir que eles mesmos sejam persuadidos por seus argumentos (Hebreus 13:17). A palavra dos anciãos têm apenas o peso que os membros da igreja dão a elas. Os anciãos merecem honras em razão da posição na qual Deus os colocou. (1 Timóteo 5:17).

A DESIGNAÇÃO DOS ANCIÃOS

    Como devem os anciãos ser designados? Todos os potenciais dirigentes devem estar aptos a preencher uma extensa lista de qualificações (1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5:9). Que um homem deseje ser um ancião e esteja apto a sê-lo, é obviamente um trabalho do Espírito Santo (Atos 20:28). Desde que esses pré-requisitos sejam preenchidos, o candidato é então designado. Em Atos 14:23, Paulo e Barnabé aparentemente fizeram a designação e Tito foi deixado em Creta por Paulo para nomear anciãos (Tito 1:5). Como Nee observa, “eles meramente estabeleceram como anciãos aqueles que o Espírito Santo já havia constituído como líderes na igreja” (2).

    Depois que os apóstolos (missionários e fundadores de igrejas) empossaram os anciãos e se foram, existe um virtual silêncio em como os anciãos subseqüentes foram  ou deveriam ser escolhidos. Raciocinando dentro do princípio de Atos 1:15, 1:26 e 6:1-6, alguém poderia concluir que os anciãos que se sucederam foram escolhidos por toda a congregação (seguindo o que requer 1 Timóteo 3:1-7), sob a liderança dos anciãos existentes e sob a supervisão de algum ministro itinerante que houvesse adquirido o direito de ser ouvido por aquela congregação local.

O PRESBITÉRIO

    O padrão do Novo Testamento é que cada igreja domiciliar deve ser dirigida por um corpo de irmãos iguais (alguns dos quais são anciãos), dependendo uns dos outros, responsáveis uns pelos outros, submissos uns aos outros e exercendo um ministério mútuo. Supõe-se que haja um ancião por igreja, vários anciãos por igreja ou várias igrejas por ancião? Atos 14:23, diz que Paulo e Barnabé, “havendo-lhes feito eleger anciãos em cada igreja...”, o que leva à evidência de que poderia haver pluralidade de anciãos em cada igreja.

    Entretanto, um pouco de confusão aparece pelo fato de que o Novo Testamento às vezes fala de apenas uma igreja em certas cidades. Por exemplo, Atos 8:1 menciona “a igreja de Jerusalém”. Paulo escreveu à “igreja de Deus em Corinto” (1 Coríntios 1:2) e à “igreja dos tessalonicenses” (1 Tessalonicenses 1:1). Jesus disse a João que escrevesse “à” igreja em Esmirna, “à” igreja em Pérgamo, etc. (Apocalipse 2:1, 2:8, 2:12, 2:18, 3:1, 3:7 e 3:14). É possível que esses exemplos reflitam a doutrina de algo chamado de igreja da cidade. Desde que é bíblico apenas uma igreja universal, alguns argumentam que, filosoficamente, existe apenas uma igreja por cidade. Já que a igreja universal é apenas uma realidade abstrata, sem organização externa, também o conceito de igreja da cidade pode ser uma realidade abstrata, sem organização terreal. Um exame do Novo Testamento revelará que, ainda que todas as igrejas estejam unidas sob Cristo como cabeça, não existe organização eclesiástica externa a uni-las. Apesar de colaborar voluntariamente umas com as outras, cada igreja é autônoma. Elas possuem um poderoso laço interno, uma unidade de vida no Senhor. Ainda que independentes de comando externo, elas são interdependentes em responsabilidades umas com as outras. Assim, filosoficamente, haveria apenas uma igreja em Atlanta, uma em Londres, uma em Moscou, etc. Cada abstrata igreja da cidade poderia ser formada de muitas igrejas domiciliares locais, organizadas e autônomas. Se essa abordagem for correta, a pluralidade de anciãos referida nas Escrituras poderia sinalizar a pluralidade por cidade, porém não necessariamente em cada igreja domiciliar.

    A pluralidade de anciãos serve à igreja da cidade como um todo ou apenas às igrejas domiciliares individualmente? Que os anciãos trabalhavam juntos fica claro em Filipenses 1:1, 1 Timóteo 4:14 e Tito 1:5. Porém, pode ser um engano concluir que eles coletivamente estavam colocados sobre múltiplas igrejas, como integrantes  de algum tipo de presbitério dirigente. Desde que a autoridade de qualquer ancião reside principalmente em sua habilidade de persuadir com a verdade e desde que o respeito de que gozem é conseguido por sua interação pessoal, não existe qualquer maneira de um presbitério de anciãos comandar um grupo de igrejas. Idealmente, cada igreja domiciliar deve ter seu próprio ancião (ou anciãos). Em algumas situações de transição, nas quais a igreja domiciliar não tenha ninguém qualificado para ser um ancião, a liderança poderá ser exercida por um missionário, um ancião de alguma igreja próxima ou um pastor-mestre itinerante (Efésios 4:11).

CONCLUSÃO

    Harvey Bluedorn oferece este excelente sumário bíblico sobre o ministério e a autoridade dos anciãos:

    1. O padrão do Novo Testamento
– Assim como os padrões das coisas mostraram a Moisés os detalhes do tabernáculo (Êxodo 25:9, 25:40, 26:30, 39:42-43, Atos 7:44 e Hebreus 8:5) e a David os detalhes do templo (1 Crônicas 28:11, 28:13 e 28:19), também os padrões no Novo Testamento estabeleceram os detalhes para a assembléia, o templo de Deus (1 Coríntios 3:9, 3:16-17 e 6:19-20, 2 Coríntios 6:16, Efésios 2:21-22, 4:13-16, 1 Timóteo 3:15, 1 Pedro 2:5, 2:9, Apocalipse 1:6, 3:12, 5:10 e 20:6). 

    2. Líderes servos
– Líderes são uma necessidade funcional para as assembléias. Jesus  Cristo levantou homens dentre os membros do corpo  e os equipou para atender a determinadas qualificações. Eles inevitavelmente emergem do meio dos membros e se tornam aparentes para a assembléia, que deve reconhecer neles, formalmente, a chamada do Senhor e a qualificação para servir como guias, mestres e exemplo para todo o corpo. Esses servos são chamados anciãos e guias ou pastores e mestres (Tito 1:5 e  Efésios 4:11).

    3. Múltiplos Anciãos
– Normalmente, surge mais de um ancião do grupo dentre os membros de uma assembléia (Atos 14:23), embora que em uma igreja recentemente formada seja requerido algum tempo para que o Senhor equipe e qualifique anciãos (Lucas 12:42, 1 Coríntios 4:2, 1 Timóteo 3:6, 3:10 e 5:22, Tito 1:5 e Hebreus 5:12-13). Entre os pastor-anciãos existe alguns que procuram especialmente a pregação e o ensino (Efésios 4:11, 1 Tessalonicen-ses 5:12-13 e 1 Timóteo 5:17).

    4. Decisões por consenso absoluto
– As decisões são tomadas por consenso absoluto da assembléia, representado pela decisão dos membros homens da igreja, considerado o aconselhamento de seus servos, os anciãos. Presumivelmente, o homem pode, por consenso absoluto, delegar certos tipos de decisão a outros, incluindo os anciãos – porém, ele pode sempre reservar o direito de decisão a si mesmo. Certamente ele determina a política a ser adotada nas decisões delegadas e deve requerer, desses a quem outorga a responsabilidade, uma completa prestação de contas do ocorrido na assembléia.

    5. Anciãos são servos, não senhores
– A Palavra do Senhor reina no meio de Seu povo, por Seu Espírito, através dos corações regenerados e das mentes renovadas dos membros da assembléia, quando Ele os leva à concordância mútua, ao acordo unânime  - ou consenso. Os anciãos conduzem pela autoridade moral de um servo que oferece palavras e exemplo, o que resulta em respeito pelo que ele oferece e não pelo que requer. Anciãos não dirigem como autoridades independentes. Sua tarefa é de assessoria e supervisão, não de comando autoritário, do tipo determinar e cobrar cumprimento. Eles são instrumento, através de sua liderança, ensino e exemplo, para levar a assembléia ao consenso, mas toda a autoridade repousa em Cristo apenas. Todos os membros, incluindo os anciãos, submetem-se ao Senhor e uns aos outros, sem exceção e de uma forma que não existe cadeia de comando, do tipo “Deus, depois Cristo, depois anciãos e depois membros”. Existe apenas uma rede de submissão e os anciãos têm o grande fardo de aliar a submissão à responsabilidade, pois são servos de toda a assembléia. Apenas os que se humilham ao nível de servos perante o Senhor e Sua assembléia podem ser elevados a esse nível de responsabilidade. Pela natureza do caso, aqueles que exaltam a si mesmos a uma posição de autoridade sobre todos, necessariamente já se desqualificaram para uma posição de serviço.

    
6. Os santos são reis e sacerdotes
– É uma severa violação da consciência adulta tratar aos santos como crianças, sob uma despótica severidade de parte dos anciãos. O resultado final de tratar aos santos como crianças será que eles permanecerão imaturos no entendimento enquanto submetidos ao cativeiro ou se tornarão rebeldes. Anciãos exercem a autoridade apropriada sobre seus lares, mas seu papel na assembléia não é o de pais e senhores sobre crianças e servos, mas o de anciãos irmãos na fé e de humildes servos de todos.

    7. A
assembléia deliberativa – A assembléia reunida é um corpo deliberativo. Os homens na assembléia são encorajados a interagir de uma maneira ordeira, com a leitura e o ensino, independente da forma que essa intervenção assuma – leitura informativa, consideração e discussão de proposições das Escrituras, debates lógicos de diferentes aspectos de uma questão ou consultas sobre assuntos práticos. Isso não é uma reunião do tipo Quaker, ou “o que o Espírito apresentar”, nem um encontro do estilo familiar, com acenos de concordância aos cabeças da casa.  Não é também um evento centrado no louvor nem no entretenimento, mas um processo de ensino e discipulado, que edifica e leva toda a assembléia à maturidade em Cristo através da interação dos homens da congregação.

8. Responsabilidade congregacional independente
– Cada congregação constitui sua própria comunhão e é independentemente responsável perante o Senhor, mas todas as congregações existem sob o mesmo reino espiritual. Elas dependem do mesmo Senhor e cooperam extensamente quando as circunstâncias exigem e permitem, tanto no nível das pessoas individualmente como no das congregações. Não deve haver ciúme entre os irmãos crentes sem entre as assembléias irmãs.

 

                                                                                        Tradução de Otto Amaral

 

(*) Steve Atkerson e sua esposa Sandra vivem no norte da Geórgia (Estados Unidos), com seus três filhos, aos quais ministraram educação formal em casa. Steve formou-se na Georgia Tech e trabalhou em eletrônica industrial antes de ir para o seminário. Depois de graduado Mestre em Divindade pelo Mid America Baptist Theological Seminary, em Memphis, serviu por sete anos como pastor da Igreja Batista do Sul. Ele demitiu-se em 1990 para trabalhar com igrejas que desejavam seguir as tradições apostólicas em suas práticas. Ele viaja e ensina onde o Senhor abre as portas da oportunidade. Steve é também ancião na igreja domiciliar que ajudou a fundar em 1990, além de ser professor, palestrante itinerante e presidente da NTRF (Fundação para Restauração do Novo Testamento), autor dos livros The practice of the Early Church: A Theological Workbook, do Equipping Manual e é editor e autor de artigos do livro Ekklesia: To the Roots of Biblical House Church Life.

 

Notas  (Referentes ao original - todas em inglês)
(1) Hal Miller, “As Children and Slaves:  Authority in the New Testament,” Voices, (Salem, MA:  March/April 1987), 6-7, 20-21.
(2) Watchman Nee, The Normal Christian Church Life (Colorado Springs, CO: International Students Press, 1969) 41.

 

 
 
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      Atualização de 15 de setembro -
    LEIA O NOVO ARTIGO:

   - QUEM MATOU JESUS?

    Interessante estudo sobre as pessoas e
     as entidades que, no plano terreal, foram
     instrumentos na concretização do drama
     do Calvário.
     Análise bíblica e jurídica do processo for-
     jado contra Jesus para levá-lo à morte.
     E se Ele voltasse hoje, nas mesmas con-
     dições, como seria?
     Quem quereria matá-lo de novo?

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