Assim se escrevia, em caracteres gregos, (a lingua do Novo Testamento), o nome da igreja de Jesus, no tempo dos apóstolos: Ekklesia Iesous Cristos (Assembléia de Jesus Cristo).

"Antes crescei na graça e no
conhecimento de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo"
(II Pedro 3:18)
 
 
 
   

O MINISTÉRIO DE OFERTAR
                                                                               Steve Atkerson (*)

 

    Qual dos dois grupos de crentes abaixo está mais bem capacitado a financiar missionários e a assistir aos pobres?
    A – Centenas de crentes organizados numa única igreja que se reúnem no seu próprio santuário, com um complexo de escola dominical, centro familiar (com ginásio de esportes, parque infantil e academia de ginástica), ou
    B – Centenas de crentes distribuídos entre dezenas de igrejas domiciliares com a maioria dos líderes não remunerados.

     Uma pesquisa feita entre congregações evangélicas dos Estados Unidos revelou que 82% dos fundos das igrejas vão para edifícios, pessoal e programas internos - apenas 18% são aplicados em trabalhos de evangelização e missões. Nas igrejas domiciliares bíblicas, essas porcentagens podem ser facilmente invertidas!

    Não existindo um complexo de edifícios para manter, frequentemente sem um pastor de tempo integral e sem que ofertas sejam tiradas toda semana, uma das perguntas feitas com mais freqüência por crentes que chegam às igrejas domiciliares é: “O que nós fazemos com nossos dízimos e ofertas?” A resposta é: “O que fazemos é, ao mesmo tempo, divertido e benemérito”. Primeiro, Deus ama a quem dá com alegria (2 Coríntios 9:6-7) e, ofertar à maneira do Novo Testamento pode ser bem divertido! Depois, é benemérito no sentido de que os recursos doados serão aplicados onde são mais necessários: sustentando obreiros de tempo integral e assistindo aos necessitados.

    Desde que a igreja domiciliar da qual participo raramente tira uma oferta, como ofertamos? Como líder, eu encorajo cada família a separar uma porcentagem de cada salário ou renda para o nosso fundo de recursos. Semana após semana os recursos se acumulam, até que alguma necessidade na congregação apareça. Ofertar, em nossa igreja, é geralmente um ato diretamente entre o doador e o necessitado, sem intermediário, embora ocasionalmente ofertas sejam tiradas. Dessa forma, fazemos doações para missionários, orfanatos, a igreja perseguida, anciãos locais e os necessitados. Nós, propositalmente, não temos conta especial em banco nem propriedades da igreja.

Coleta de ofertas

    Alguns casos, no Novo Testamento, autorizam a realização de uma coleta de toda a igreja. Um deles, é para o atendimento a crentes carentes (Atos 11:27-30 e 24-17, Romanos 15-25-28, 1 Coríntios 16:1-4 e 2 Coríntios 8:1-15 e 9:12). Outro caso é o sustento dos apóstolos (hoje, mais apropriadamente chamados de missionários) em seu trabalho (Atos 15:3, Romanos 15:23, 1 Coríntios 9:1-14, 16:5-6 e 10-11, 2 Coríntios 1:16, Filipenses 4:14-18, Tito 3:13-14 e 3 João 5-8).

    Fosse onde fosse (incluindo outros países), que crentes estivessem sofrendo devido à fome, perseguição ou outros problemas, as outras igrejas eram chamadas a oferecer ajuda financeira. Ressalte-se que essas coletas não eram contínuas – elas cessavam quando as necessidades eram atendidas (Atos 11:27-30 e 12:25 e 1 Coríntios 16:1-4). Assim, fica claro que devemos apoiar financeiramente nossos irmãos da perseguida igreja chinesa. Doações aos pobres locais eram feitas diretamente e em segredo. (Mateus 6:1-4 e 6:19-21 e Efésios 4:28). Uma lista das viúvas que se qualificavam para ajuda era também mantida pela igreja (1 Timóteo 5:3, 5:9 e 5:16).

    Era também responsabilidade da igreja o sustento dos apóstolos (os plantadores de igrejas). A palavra grega para enviar (propempo) é, no Novo Testamento, associada a ajudar a alguém em sua jornada, com alimentos ou dinheiro, propiciar companheiro para a viagem, meios de transporte, etc. Os apóstolos deveriam ser enviados ao campo de trabalho com subsistência material garantida (Atos 15:3, Romanos 15:24, 1 Coríntios 16:6 e 16:11, 2 Coríntios 1:16, Tito 3:13 e 3 João 5-8). O mesmo caso se aplica à palavra hospedar (Filipenses 2:29 e 3 João 10). Hospedar a um missionário (ou apóstolo) consistia em prover temporariamente alojamento a ele, assim como atender às suas necessidades físicas. Aos plantadores de igreja do Novo Testamento eram ofertadas elevadas somas para levarem aos seus destinos de trabalho. Uma vez ali, eles deveriam evangelizar a área, estabelecer igrejas, treiná-las nos conhecimentos básicos e, então, se retirarem. Durante as viagens  eles deveriam ser acolhidos pelas igrejas e depois enviados novamente aos seus destinos seguintes.

    A primeira carta aos Coríntios estabelece que os apóstolos/missionários tinham o direito de ganharem suas vidas do evangelho. Paulo foi versátil o bastante para ser capaz de suprir suas próprias necessidades quando os fundos da igreja estivessem muito baixos. Outros, na igreja primitiva, que recebiam donativos eram os evangelistas de tempo integral e os anciãos qualificados.

    É muito perturbador o contraste existente entre os objetivos da aplicação do dinheiro da igreja no Novo Testamento e aqueles vistos hoje. O jornal The Commercial Appeal da cidade de Memphis, nos Estados Unidos, publicou, em meados de 1980, que a igreja Batista local tinha um complexo de edifícios de 30.658 metros quadrados de espaço interno, 1.400 vagas de estacionamento, 221 salas de aula e um auditório para 2.700 pessoas! Sua despesa média mensal era de 25.000 dólares! Seu órgão de tubos estava avaliado em 800.000 dólares! O que teriam Paulo e os outros apóstolos realizado com essas ferramentas ministeriais? Não existem justificativas no Novo Testamento para despesas como essas. Ao contrário, o padrão do NT é de que se deve dar às pessoas, não acumular propriedades.

Entregar o Dízimo

    “A Bíblia ensina assim; eu creio assim – então, entreguemos nosso dízimo”. Essas são as palavras cantadas todas as semanas pela congregação de uma grande igreja que eu freqüentei. Alguns pastores/professores declaram enfaticamente que não entregar o dízimo de Deus é roubá-Lo (Malaquias 3:8-10)! Em uma mega-igreja, os membros devem recitar o “Credo do Dízimo”, repetindo: “O dízimo é do Senhor. Em verdade nós o aprendemos. Pela fé nos o cremos. Com alegria nós o ofertamos. Dízimo!”

    É lógico - a Bíblia ensina a entrega do dízimo. A mesma lei mosaica que requer a entrega do dízimo também ensina ao povo de Deus a não comer camarões e ostras. A questão real é saber qual dessas leis do Antigo Testamento está ainda vigente sob o Novo Testamento. É a lei de Moisés idêntica à lei de Cristo?

    Por contraste, vemos que o dízimo do Antigo Testamento era compulsório, não voluntário. Seu propósito era financiar a teocracia governamental. Era como nosso Imposto de Renda. Ele era parte do sistema levítico com seus sacerdotes e templos (2 Crônicas 24:6 e 24:9). Diferentemente de Israel, a igreja hoje não está numa teocracia, mas sob um governo humano e secular. Distinta de Israel, a igreja não tem uma classe especial de sacerdotes, mas todos na igreja são sacerdotes. Diferente do Pacto Mosaico, o Novo Testamento não tem templos elaborados a construir e manter. Contrariamente, a igreja se reúne nas casas de seus membros e os próprios crentes (pessoal e coletivamente) fazem o templo do Senhor (pedras vivas num templo espiritual). Assim como não existe mais o templo, não mais a classe especial de sacerdotes, não mais teocracia, não mais Terra Santa, não mais dieta restritiva (ostras e camarões), também não há mais dízimo. O dízimo jamais foi requerido no Novo Testamento. Houve uma modificação na lei (Hebreus 7:12), a antiga regulamentação foi desprezada (Hebreus 7:18) e o Novo Testamento tornou o Antigo obsoleto (Hebreus 8:13).

    Alguns irmãos sentem-se compelidos a entregar o dízimo, ainda que essa prática realmente proceda do Antigo Testamento. Por exemplo, Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque, vários séculos antes da instituição do Antigo Concerto. Aparentemente, o dízimo é uma prática que transcende a qualquer pacto. Esse argumento realmente parece plausível. Entretanto, uma vez que se tenha consciência de que esse é um evento isolado (e não contínuo) na vida de Abraão (o mesmo pode ser dito para o dízimo de Jacó) e que Abraão também ofereceu sacrifícios e circuncidou os homens de sua casa (ambas as práticas religiosas consideradas obsoletas por todos os cristãos), a força desse argumento diminui. No final, alguém pode até acabar concluindo que devemos entregar o dízimo apenas uma vez na vida!

    A consciência de algumas pessoas é balizada pela declaração de Jesus de que “dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei... estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas” (Mateus 23:23). A chave para aplicação correta dessa afirmação está  na palavra lei (Mateus 23:23). Jesus estava falando para os professores da lei e os fariseus – homens que viveram antes do início do Novo Concerto. A lei era aquela do Concerto Mosaico, não o Novo Pacto. Dos israelitas do tempo de Jesus ainda era requerida a entrega do dízimo (e, por extensão, o fazer sacrifícios de animais). Nós, do Novo Testamento, não estamos sob esses requisitos, pois o primeiro pacto com sua lei já passaram. Viva a lei de Cristo!

    É claro, não há nada de errado em entregar o dízimo, se for isso o que Deus tenha posto no seu coração. Como foi ressaltado antes, Abraão e Jacó entregaram o dízimo voluntariamente antes da lei ser dada. Eles são exemplos a seguir! O segredo está em que nossas doações devem ser de acordo com o propusemos ofertar, em nossos corações. Apenas não se sinta obrigado a entregar o dízimo.

Colheita e semeadura

    Sem dúvida, o Novo Testamento exalta a virtude da generosidade. Em Mateus 6:19-21, Jesus nos ensina a guardar tesouros no céu. Em Mateus 19:21, Jesus disse ao jovem rico que doando aos pobres ele poderia juntar tesouros no céu. Paulo, em sua primeira carta a Timóteo, em 6:18-19, exorta a que todos “sejam liberais e generosos, entesourando para si mesmos um bom fundamento para o futuro...” Devemos partilhar com os outros, “porque com tais sacrifícios Deus se agrada” (Hebreus 13:16).

    Porém, quanto devemos ofertar? A resposta depende de quanto queremos colher depois, de quanto desejamos ser abençoados e de quanto pretendemos ter entesourado no céu. As Escrituras nos relembram que “... Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria”. De acordo com o Novo Concerto, cada homem deve ofertar “segundo propôs no seu coração”. É isso, simplesmente, o que deve ser feito! A entrega do dízimo, como requerida por Moisés, não é uma prática do Novo Pacto. Note que o texto declara que nossas ofertas não devem ser feitas “com tristeza, nem por constrangimento” (2 Coríntios 9:7). Se algum professor disser que devemos entregar o dízimo ou então estaremos roubando de Deus, não seria isso colocar-nos contra a parede, pretendendo induzir-nos “por constrangimento”?

    Oferte o que você tenha proposto no coração. Considere, porém, que talvez não seja o melhor uso para sua oferta o emprego em edifícios para santuários, pagamento de faxineiros, jardinagem, cadeiras tipo trono para os pastores ou órgãos de tubos de oitocentos mil dólares. Deus pretendeu que atendêssemos principalmente aos necessitados e que sustentássemos aos obreiros da igreja (missionários, plantadores de igrejas, evangelistas, anciãos qualificados, etc.).

 

                                                                                                                          Tradução de Otto Amaral

 

(*) Steve Atkerson e sua esposa Sandra vivem no norte da Geórgia (Estados Unidos), com seus três filhos, aos quais ministraram educação formal em casa. Steve formou-se na Georgia Tech e trabalhou em eletrônica industrial antes de ir para o seminário. Depois de graduado Mestre em Divindade pelo Mid America Baptist Theological Seminary, em Memphis, serviu por sete anos como pastor da Igreja Batista do Sul. Ele demitiu-se em 1990 para trabalhar com igrejas que desejavam seguir as tradições apostólicas em suas práticas. Ele viaja e ensina onde o Senhor abre as portas da oportunidade. Steve é também ancião na igreja domiciliar que ajudou a fundar em 1990, além de ser professor, palestrante itinerante e presidente da NTRF (Fundação para Restauração do Novo Testamento), autor dos livros The practice of the Early Church: A Theological Workbook, do Equipping Manual e é editor e autor de artigos do livro Ekklesia: To the Roots of Biblical House Church Life.

 

 
 
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      Atualização de 15 de setembro -
    LEIA O NOVO ARTIGO:

   - QUEM MATOU JESUS?

    Interessante estudo sobre as pessoas e
     as entidades que, no plano terreal, foram
     instrumentos na concretização do drama
     do Calvário.
     Análise bíblica e jurídica do processo for-
     jado contra Jesus para levá-lo à morte.
     E se Ele voltasse hoje, nas mesmas con-
     dições, como seria?
     Quem quereria matá-lo de novo?

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