Assim se escrevia, em caracteres gregos, (a lingua do Novo Testamento), o nome da igreja de Jesus, no tempo dos apóstolos: Ekklesia Iesous Cristos (Assembléia de Jesus Cristo).

"Antes crescei na graça e no
conhecimento de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo"
(II Pedro 3:18)
 
 
 
   

A LIDERANÇA
nas Igrejas do Novo Testamento
                               Steve Atkerson (*)

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus...” (I Pedro 5:2).

 

Algumas igrejas são dirigidas por apenas um homem (pastor, papa ou arcebispo). Talvez essas igrejas possam ser classificadas como “ditaduras” benignas. Outras igrejas são controladas pela autoridade final do voto congregacional. Essas podem ser referidas como “democracias”. Finalmente, muitas igrejas operam sob a orientação de vários anciãos. Dizemos que o ideal é o governo exercido pelo consenso de toda a igreja. Se esse realmente é o caso, então porque os anciãos são necessários na igreja?


As vantagens de se ter anciãos

Durante a batalha de Midway (na Segunda Guerra Mundial), um solitário esquadrão americano de bombardeiros descobriu e atacou a frota japonesa.  Tragicamente, o esquadrão ficou separado de sua escolta de aviões de caça. O ataque demonstrou ser suicida.Todos os tripulantes dos aviões foram mortos. Os anciãos são para as igrejas o que os aviões de escolta eram para os bombardeiros: proteção. Eles também oferecem direção, ensinamentos e auxílio para que a igreja atinja o consenso e cresça até a maturidade.

Quanto aos falsos mestres, os anciãos podem refutar àqueles que se opõem à sã doutrina (Tito 1:9). Eles podem, finalmente, efetuar o processo de avaliação que está em Mateus 18:15-35 (disciplina cristã). Os anciãos não podem agir “como dominadores sobre os que vos foram confiados”, mas devem ser “exemplo para o rebanho” (I Pedro 5:3). A existência de vários anciãos (todos com a mesma autoridade) também ajuda a prevenir o surgimento de algum moderno Diótrefes (III João 9-10). Ainda assim, apesar dos melhores esforços de qualquer igreja, precisamos ter em conta que “dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas para atrair os discípulos após si. Portanto vigiai...” (Atos 20:30-31).

Que os líderes devem exercer a função de servir na igreja, fica muito claro em textos como Atos 20:25-31, Tito 1:9, Efésios 4:11-13, I Timóteo 1:3, 3:4-5, 5:17 e 6:20, II Timóteo 1:13-14, 2:2, 2:15, 3:16-17 e 4:2-4, Tito 1:9, 1:13 e 2:15 e Hebreus 13:17.
Líderes são para guardar e proteger contra falsos mestres, treinar outros líderes na tradição apostólica, orientar pelo exemplo, zelar pela verdade, afastar os lobos, ajudar na obtenção de consenso, etc. Em resumo, líderes são homens com maturidade de caráter que supervisionam, ensinam, protegem, equipam e estimulam a igreja. Agora e sempre precisamos convocar a igreja a se “submeter” (Hebreus 13:17) à sua liderança.

Apesar de haverem sido tecnicamente apóstolos obreiros, Timóteo e Tito trabalharam claramente como anciãos, até que houvesse a escolha dos anciãos locais. Assim, era de se esperar que os anciãos escolhidos fizessem as coisas da mesma forma que os obreiros apostólicos as faziam, no âmbito local (I Timóteo 1:3, 4:11, 5:17, 6:17, Tito 1:12-13, 2:15, 3:10). Disso fica claro que é próprio dos anciãos o exercício da liderança, da reprovação com autoridade, do falar, do ensinar e do guiar. Os anciãos devem “governar bem” e “supervisionar” as igrejas, tomando a iniciativa da guarda do rebanho. Como crentes maduros, o entendimento deles quanto ao que é correto ou errado, com relação a doutrinas ou comportamentos será, muito provavelmente, correto.  Eles, natural e freqüentemente, devem ser os primeiros a detectar e a resolver problemas. Não obstante, se aqueles a quem eles disciplinam se recusarem a ouvi-los, o único recurso dos anciãos é levar o assunto a toda a igreja de acordo com o processo de Mateus 18. A autoridade, em última instância, ainda permanece com a igreja como um todo.

Há um delicado equilíbrio a ser alcançado entre as atribuições da liderança dos anciãos e as responsabilidades típicas da igreja como um todo. Enfatizando muito a primeira, é fácil a criação de mais um papa! Aprofundando-se demais na segunda, teremos um barco sem leme. Em resumo, ambas as responsabilidades, a dos líderes anciãos e a da igreja como um todo, são válidas. Isso precisa ser enfatizado, pois, por um lado, temos os anciãos guiando e ensinando pelo exemplo, moderando o toma-lá-dá-cá das discussões da assembléia, embora sem o direito final a veto em qualquer procedimento; por outro lado, temos o rebanho, que pode fazer o que desejar, mas seus membros são exortados a seguir seus anciãos e a permitir que sejam persuadidos pelos argumentos deles. As palavras dos anciãos têm peso somente até o limite que as pessoas lhes impõem. Anciãos merecem respeito pela posição na qual Deus os colocou. Esse conceito é igual àquele vigente nas cidades israelitas durante o tempo do Velho Testamento. Eles não tinham nenhuma autoridade ou poder reais, mas gozavam de um elevado grau de respeito. Não dar ouvidos à sabedoria de um ancião era equivalente a chamar a si mesmo de idiota e rebelde.


Consenso orientado pelos anciãos

Todos concordam que Jesus é a cabeça da igreja (Colossenses 1:15-20). Então a igreja, em verdade, é uma ditadura (ou teocracia) comandada por Cristo através de Sua palavra escrita e pela influência do Espírito Santo (João 14:25-27, 16:12-15, Atos 2:42, Efésios 2:19-22 e I Timóteo 3:14-15). Quando seguimos o organograma de cima para baixo, para onde vai a linha de autoridade?

Falando aos “anciãos” da igreja de Éfeso (Atos 20:17), Paulo disse: “Cuidai, pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue” (Atos 20:28). A presença dos termos “bispos” e “apascentardes” (atividade típica dos pastores) certamente sugere uma posição de supervisão dos anciãos. Escrevendo a Timóteo sobre as qualificações para um ancião, Paulo perguntou: “Pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (I Timóteo 3:5). Isso implica novamente em responsabilidade de mando para os anciãos. Paulo disse também aos anciãos: “apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus” (I Pedro 3:5). Mais uma vez, os anciãos são colocados numa posição de liderança. I Timóteo 5:17 refere-se a “anciãos que governam bem”. I Timóteo 5:12 diz: “rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, presidem sobre vós no Senhor e vos admoestam”. Hebreus 13:7 determina: “lembrai-vos dos vossos guias”. Em seguida, Hebreus 13:17 instrui: “Obedecei aos vossos guias, sendo-lhes submissos, porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas”. Tudo isso indica que devem existir líderes humanos na igreja. Esses líderes são, na maioria dos casos, referidos como “anciãos” ou “supervisores”.
(A respeito das diferenças entre ancião, bispo e pastor, um exame de Atos 20:17, 28:30, Tito 1:5-7 e I Pedro 5:1-3 demonstrará que essas palavras são sinônimas. Todas as três se referem ao mesmo trabalho. Qualquer distinção moderna entre elas é puramente artificial e sem nenhuma base bíblica).

As referências anteriores a comando pelos anciãos podem, se tomadas isoladamente, conduzir a uma visão deformada de como esse tipo de direção deve operar. Existem mais coisas a considerar. Imagine os passos da disciplina da igreja em Mateus 18:15-17 relacionados a um processo de tomada de decisões da igreja (veja também I Coríntios 5:1-5 e Gálatas 6:1). Perceba que toda a congregação parece estar envolvida na decisão de exercer disciplina. Note também que os líderes não são especialmente indicados para analisar os casos antes deles atingirem a reunião plenária nem a executarem a disciplina. A decisão é coletiva.

Esse processo coletivo é também abordado em Atos 1:15-26. O apóstolo Pedro colocou a tarefa de procurar um substituto para Judas sobre a igreja como um todo. Em Atos 6:1-6, os apóstolos se voltaram para “todos os discípulos” (6:2) e deixaram que eles escolhessem os administradores do sistema de assistência social da igreja. Ambos os exemplos apontam para o envolvimento de toda a congregação nos processos referidos.

Paulo escreveu a “todos” (1:7) os santos em Roma e não fez menção especial aos anciãos. A cartas aos Coríntios são endereçadas a toda a “igreja” (I Coríntios 1:2 e 2 Coríntios 1:1). Novamente, não há ênfase na liderança. A saudação em Gálatas 1:2 focaliza as “igrejas” na Galácia. A mensagem não foi endereçada través dos líderes. Os “santos em Éfeso” (1:1) são os destinatários da carta.  Em Filipenses 1:1 é dado igual tratamento aos santos, aos bispos e diáconos. Em Colossenses 1:2 a saudação foi ”aos santos e fiéis irmãos em Cristo”. Tudo isso representa que os anciãos eram também ovelhas. Os anciãos eram uma subdivisão da igreja como um todo. Nunca houve a distinção entre clero e leigos.

Essa ausência de ênfase nas lideranças é vista também em I Timóteo 1:1, 2 Timóteo 1:1, Tiago 1:1, I Pedro 1:1, II Pedro 1:1, João 2:1 e 2:7 e Judas 1:1. De fato, o livro de Hebreus foi escrito para um subgrupo de crentes e não foi antes do último capítulo, que o autor pede que eles “saúdem a todos os seus líderes” (13:24). Ele nem saudou aos líderes diretamente!

Em Hebreus 13:17, os crentes são encorajados a “obedecer” aos líderes da igreja. Interessante é que, nesse caso, a palavra “obedecer” não é a palavra usual para esse significado. Ao invés, é usado peitho, que significa literalmente “persuadir” ou “convencer”.    

Assim, Hebreus 13:17 pode ser interpretado como “deixem-se ser persuadidos por”. Esse mesmo verso também instrui os crentes a se “submeterem” à autoridade dos líderes de suas igrejas. Para esse “obedecer”, a palavra grega para “submeter-se” não foi usada. Diferentemente, hupeiko foi escolhida pelo autor, uma palavra significando “ceder” depois de uma luta. Ela era usada entre combatentes. O significado de hupeiko é visto na carta que o general sulista norte americano Robert E. Lee endereçou às suas tropas, referente à rendição das mesmas em Appomadox, no fim da Guerra Civil Americana: “Depois de quatro anos de árduos serviços, marcados pela coragem jamais igualada e firmeza, o Exército da Virgínia do Norte foi compelido a ceder a números e recursos esmagadores”.

Assim, o rebanho de Deus deve estar aberto a ser “convencido por” (peitho) seus pastores. No transcurso desse debate e ensinos, o rebanho deve ser “convencido por” (peitho) seus líderes. Obediência irrestrita e irracional não é o relacionamento entre pastores e a igreja, demonstrado no NT. Logicamente, haverá oportunidades em que alguém do rebanho não poderá ser completamente persuadido de algo e um impasse se criará. Quando for necessário interromper esse impasse, a congregação deve “ceder” (hupeiko) à sabedoria de seus líderes.

Muito mais pode ser extraído da forma pela qual os autores do Novo Testamento fazem apelos diretamente para as igrejas como um todo. Essa forma se origina, em grande extensão, da capacidade de influenciar ao rebanho. Os apóstolos não bradavam ordens nem simplesmente emitiam normas (como os comandantes militares o fazem). Ao contrário, eles tratavam aos outros crentes como iguais e se identificavam com eles em tudo. Sem dúvida os líderes de igrejas locais lideram de maneira idêntica. Sua maior autoridade reside na habilidade de convencer. O respeito que lhes é conferido é honestamente conseguido. Eles são o oposto da autoridade militar, onde os soldados respeitam a patente e não o homem.

Hebreus 13:7 reflete o fato de o “estilo” de liderança empregado pelos líderes de igrejas é primariamente o de orientar pelo exemplo: “Lembrai-vos dos vossos guias... e, atentando para o êxito da sua carreira, imitai-lhes a fé”. Igualmente I Tessalonicenses revela que os líderes devem ser respeitados, não pela autoridade imaginariamente devida ao seu posto, mas por causa do valor de suas obras: “... que os tenhais em grande estima e amor, por causa da suas obras”. Jesus disse: “Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo” (Mateus 20:25-28).

Como anteriormente citado, a palavra “igreja” no NT é usada para se referir à igreja universal, igrejas de cidades ou igrejas domiciliares. Uma igreja organizada nunca abrange mais do que uma simples cidade e nenhuma tem jurisdição ou autoridade sobre nenhuma outra igreja (embora, naturalmente, deva haver cooperação e assistência entre elas). O ideal é que cada igreja seja orientada por mais de um líder.  Cada um dos líderes deve ter autoridade igual à dos outros (não existe o caso do pastor “sênior”). A autoridade principal deles é baseada em sua habilidade de persuadir com a verdade. Eles devem liderar pelo exemplo. Assim, a administração da igreja é um processo dinâmico de interação, persuasão e correta afinação entre os pastores e as ovelhas.


A Indicação dos Anciãos

Como devem os anciãos ser indicados? Paulo ensinou que todos os potenciais dirigentes deveriam ser aptos a atender a uma extensa lista de requisitos (I Timóteo 3:1-7, Tito 1:5-9). O desejo de um homem de ser um ancião de sua igreja e a capacitação para isso, certamente é obra do Espírito Santo (Atos 20:28). Desde que os pré-requisitos sejam atendidos, o candidato a ancião é então indicado. Em Atos 14:23 Paulo e Barnabé aparentemente fizeram a indicação e Tito foi deixado por Paulo em Creta para indicar os anciãos (Tito 1:5). Como Nee observou, “eles meramente estabeleceram como anciãos aqueles a quem o Espírito Santo já havia feito dirigentes da igreja” (The Normal Christian Church Life, 41). Depois que os apóstolos (missionários, criadores de igrejas) apontaram os anciãos e se foram, há um virtual silêncio sobre como os anciãos seguintes foram ou deveriam ser escolhidos. Trabalhando com o princípio de Atos 1:15-26 e 6:16, podemos ser levados a concluir que os anciãos posteriores foram escolhidos por toda a congregação (seguindo os requisitos apresentados em I Timóteo 3:1-7), sob a direção dos anciãos existentes e sob a supervisão de alguns apóstolos que houvessem adquirido o direito de serem ouvidos por aquela congregação local.


O Presbitério

O que se imagina como adequado: ter um ancião por igreja, vários anciãos por igreja ou várias igrejas por ancião? Em Atos 14:23 Paulo e Barnabé “indicaram anciãos em cada igreja”. A evidência bíblica parece apoiar pluralidade de anciãos em cada igreja. Sob a perspectiva existe, tecnicamente, apenas um a igreja por cidade! Por exemplo, Atos 8:1 menciona “a igreja de Jerusalém”, Paulo escreveu para “a igreja de Deus em Corinto” (I Coríntios 1:2) e à “igreja dos Tessalonicenses” (I Tessalonicenses 1:1). Jesus disse a João para escrever para “a” igreja de Deus em Corinto (I Coríntios 1:2) e para “a” igreja em Éfeso, “a” igreja em Esmirna, “a” igreja em Pérgamo, etc. (Apocalipse 2:1, 2:8, 2:12, 2:18, 3:1, 3:7 e 3:14) Assim, biblicamente falando, só há uma igreja em Atlanta, uma em Londres, uma em Moscou, etc.

No livro The Normal Christian Church Life, Watchman Nee observou que “no mundo de Deus nós não vemos nenhuma igreja que se estenda além da área de uma cidade” (48). Quando se refere a grandes áreas geográficas, a Bíblia usa a palavra “igrejas” (no plural). Por exemplo, “E passou pela Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas” (Atos 15:41), “as igrejas nas províncias da Ásia” (I Coríntios 16:19), “as igrejas da Macedônia” (! Coríntios 8:1), “as igrejas da Galácia” (Gálatas 1:1), “as igrejas da Judéia” (Gálatas 1:22), etc. Assim, não existe no Novo Testamento algo como igreja nacional ou igreja regional. A única razão para divisão das igrejas é a localização geográfica. É claro, referências são feitas à igreja universal (Efésios 1:22-23, 3:10, 3:21, 5:23-32 e Colossenses 1:18), à qual todos os crentes, de todas as épocas, pertencem. Porém a igreja universal é invisível e espiritual, sem nenhuma organização terrena. Um exame do Novo Testamento revelará que, embora todas as igrejas estejam sob o comando de Jesus Cristo, não existe nenhuma organização eclesiástica que as une. Apesar de cooperarem umas com as outras voluntariamente, cada igreja é autônoma. Existem laços íntimos muito fortes e uma profunda singularidade espiritual sobre a vida no Senhor. Apesar de independentes de governo externo, elas são interdependentes quanto à responsabilidade para com as outras (veja os capítulos 8 e 9 de II Coríntios).

Dessa forma, como uma subdivisão da igreja da cidade, existem inúmeras igrejas que se reúnem em diversos lares, em cada cidade (Romanos 16:5, I Coríntios 16:19, Filemom 2, Colossenses 4:15). O relacionamento entre as várias igrejas domiciliares é similar àquele existente entre as igrejas de cidades: todas têm a Cristo como cabeça, mas não existe nenhuma organização eclesiástica unindo-as. Todas devem cooperar com as outras em interdependência, ainda que cada uma continue autônoma.

Então, o conjunto dos anciãos liderava a igreja tamanho cidade como um todo, ou apenas igrejas domiciliares, individualmente? Que esses anciãos trabalhavam em conjunto fica claro em Filipenses 1:1, I Timóteo 4:14 e Tito 1:5, mas seria um engano concluir que eles coletivamente estavam colocados “sobre” múltiplas igrejas, como um presbitério dirigente.

Desde que a autoridade de todo e qualquer ancião reside somente na sua habilidade de persuadir com a verdade e desde que, de nenhuma forma, essa autoridade é recebida por suas obras pessoais, não existe maneira de um presbitério de anciãos poder ministrar “sobre” um grupo de igrejas, em qualquer hipótese. Idealmente, cada igreja dever ter seus próprios anciãos. Numa situação de transição, quando uma igreja domiciliar ainda não tenha ninguém qualificado para ser um ancião, a liderança temporária poderia ser exercida por um apostolo respeitável, um ancião de uma igreja próxima ou um pastor-mestre itinerante. O padrão do NT é que cada igreja seja dirigida por um corpo de irmãos, alguns dos quais anciãos, dependentes uns dos outros, respondendo uns aos outros e vivendo um ministério coletivo.


Conclusão

Harvey Bluedorn escreveu um excelente sumário sob o ministério dos anciãos, intitulado “Declaração Acerca da Liderança e da Autoridade dos Anciãos Sobre a Assembléia”:

  1. O Padrão do Novo Testamento – Assim como os modelos das coisas mostraram a Moisés como estabelecer os padrões para o tabernáculo (Êxodo 25:9, 25:40, 26:30, 39:42-43, Atos 7:44 e Hebreus 8:5); assim como os modelos das coisas mostraram a Davi como estabelecer os padrões para o templo (I Crônicas 28:11, 28:13 e 28:19), da mesma forma os modelos das coisas mostradas no Novo Testamento estabeleceram os padrões para a assembléia, o templo de Deus (I Coríntios 3:9, 3:16, 3:17, 6:19-20, Efésios 2:21-22, 4:13-16, I Timóteo 3:15, I Pedro 2:5, 2:9, Apocalipse 1:6, 3:12, 5:10, 20:6).
  1. Servos Líderes – Líderes são funcionalmente necessários para a assembléia. O Senhor Jesus levantou-os do meio dos membros do corpo e os equipou para preencher qualificações estabelecidas. Eles inevitavelmente se sobressairão do rebanho e serão notados pela assembléia e esta deve formalmente reconhecer a chamada do Senhor naqueles sobre os quais Ele colocou os dons e a qualificação para servir como guias, mestres e exemplos para o corpo todo. Esses servos são chamados anciãos, bispos, pastores ou mestres (Tito 1:5 e Efésios 4:11).
  1. Vários Anciãos - Vários anciãos naturalmente emergem do rebanho (Atos 14:23), embora numa assembléia recém inaugurada talvez seja necessário algum tempo para que o Senhor equipe completamente e qualifique esses líderes (Lucas 12:42, I Coríntios 4:2, i Timóteo 3:6, 3:10, 5:22, Tito 1:5 e Hebreus 5:12-13). Dentre os anciãos deve existir algum que se empenhe no falar e ensinar (Efésios 4:11, I Tessalonicenses 5:12-13 e 1 Timóteo 5:17).
  1. Decisões Por Unanimidade – As decisões são tomadas pela concordância total da assembléia, representada por todos seus homens, sob a coordenação e conselho de seus servidores, os anciãos. Presumivelmente, os homens podem, por deliberação unânime, delegar certos tipos de decisões para alguém, incluindo os anciãos, mas precisam manter o direito de decidir por si mesmos, o de determinar a política para essas decisões e devem requisitar, de quem recebeu delegação para decidir, um completo relatório e prestação de contas à assembléia.
  1. 5. Anciãos São Servos, Não Senhores – As palavras de Cristo determinam, pelo Seu Espírito no meio ao Seu Povo, através dos corações regenerados e das mentes renovadas dos membros da assembléia, como Ele leva Seu rebanho a um acordo unânime ou consenso. Os anciãos lideram pela autoridade moral de servos que oferecem a palavra e o exemplo e merecem respeito pelo que dão, não pelo que pedem. Um ancião não age como autoridade independente. Sua tarefa é a de assessorar e supervisionar, nunca a de exercer autoridade senhorial nem a de comandar singularmente. Eles são instrumentos, através de suas lideranças, ensinamentos e exemplos, para levar a assembléia ao consenso. Porém, toda autoridade repousa somente em Cristo. Todos os membros, incluindo os anciãos, se submetem ao Senhor e submetem-se uns aos outros no Senhor. Inclui-se, nesse caso, a submissão dos membros anciãos a todos os outros membros, incluídos os demais anciãos. Em outras palavras, não há cadeia de comando, como: Deus, depois Cristo, depois anciãos e depois membros. Existe apenas uma rede de submissão, na qual os anciãos carregam o maior fardo de submissão e responsabilidade, por serem servos de toda a assembléia. Apenas os que se humilham ao nível de servos diante do Senhor e de Sua assembléia serão elevados a esse nível de responsabilidade. Percebe-se então, que aqueles que exaltam a si mesmos a uma posição de autoridade sobre os outros, inevitavelmente se desqualificam para qualquer posição de serviço.
  1. Os Santos São Reis e Sacerdotes – É uma severa violação da consciência adulta tratar aos santos como crianças sob o comando de anciãos. O principal efeito desse tratamento é que eles permanecerão crianças no entendimento ou se tornarão rebeldes.  Anciãos exercitam autoridade adequada, como pais em suas próprias casas, mas a função deles na assembléia não é a de pais e senhores sobre crianças, mas como irmãos na fé e como humildes servos de todos.
  1. A Assembléia Deliberativa – A assembléia reunida é um corpo deliberativo. Os homens adultos, em assembléia, são estimulados a interagir de forma ordeira, com leitura, exortação e ensinamentos, independente da forma que a interação assuma: leitura informativa, cuidadosa consideração e discussão de proposições das Escrituras, debate lógico das diferentes facetas de uma questão ou abordagem de assuntos de ordem prática. Essa não é uma reunião do tipo ”será como o Espírito mandar” nem uma “reunião em família”, para ouvir as opiniões dos cabeças do lar, como também não é um “encontro de louvor” de animado entretenimento. Trata-se da aplicação de um genuíno processo de ensinamento discipular, que edifica e conduz toda a assembléia à maturidade em Cristo, através da interação do homem na assembléia.
  1. Responsabilidade Congregacional Independente – Cada congregação constitui sua própria comunhão e é independentemente responsável perante o Senhor, porém toda verdadeira congregação existe sob o mesmo reino espiritual e depende do mesmo Senhor. Elas cooperam entre si sempre que as circunstâncias requerem e permitem, seja no nível pessoal ou no congregacional. Não deve haver ciúme, que não é de Deus, entre irmãos nem entre assembléias.

 


                          Tradução de Otto Amaral




Um capítulo do livro de estudo teológico The Practice of The Early Church (por enquanto disponível só em inglês) foi escrito para os que desejam estudar mais as idéias expressas neste artigo. Usando método socrático de ensino, ele estimula os leitores a chegarem às suas próprias conclusões lendo as Escrituras. Ele é especialmente indicado para estudo individual ou como um manual para grupos de estudo bíblico.

 

(*) Steve Atkerson e sua esposa Sandra vivem no norte da Geórgia (Estados Unidos), com seus três filhos, aos quais ministraram educação formal em casa. Steve formou-se na Georgia Tech e trabalhou em eletrônica industrial antes de ir para o seminário. Depois de graduado Mestre em Divindade pelo Mid America Baptist Theological Seminary, em Memphis, serviu por sete anos como pastor da Igreja Batista do Sul. Ele demitiu-se em 1990 para trabalhar com igrejas que desejavam seguir as tradições apostólicas em suas práticas. Ele viaja e ensina onde o Senhor abre as portas da oportunidade. Steve é também ancião na igreja domiciliar que ajudou a fundar em 1990, além de ser professor, palestrante itinerante e presidente da NTRF (Fundação para Restauração do Novo Testamento), autor dos livros The practice of the Early Church: A Theological Workbook, do Equipping Manual e é editor e autor de artigos do livro Ekklesia: To the Roots of Biblical House Church Life.

 

 

 
 
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      Atualização de 15 de setembro -
    LEIA O NOVO ARTIGO:

   - QUEM MATOU JESUS?

    Interessante estudo sobre as pessoas e
     as entidades que, no plano terreal, foram
     instrumentos na concretização do drama
     do Calvário.
     Análise bíblica e jurídica do processo for-
     jado contra Jesus para levá-lo à morte.
     E se Ele voltasse hoje, nas mesmas con-
     dições, como seria?
     Quem quereria matá-lo de novo?

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