Assim se escrevia, em caracteres gregos, (a lingua do Novo Testamento), o nome da igreja de Jesus, no tempo dos apóstolos: Ekklesia Iesous Cristos (Assembléia de Jesus Cristo).

"Antes crescei na graça e no
conhecimento de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo"
(II Pedro 3:18)
 
 
 
   

Uma Igreja Integralmente Bíblica
                                                                                          Beresford Job (*)

Quais são os requisitos mínimos
para que uma igreja seja bíblica?

Demonstramos sempre que as práticas legadas pelos apóstolos tinham força de determinações bíblicas. Isso é verdade, por exemplo, no que se refere às pessoas trabalharem e não ficarem ociosas e à maneira de funcionamento das igrejas (como o os irmãos que devem fazer quando reunidos). Do Novo Testamento como um todo, podemos descortinar juntos um claro panorama de como eram realmente essas igrejas apostolicamente dirigidas. Podemos, assim, definir o seguinte:

  • Os crentes se reuniam como igreja no primeiro dia da semana (É relevante que se note que esta é a única prática apostólica com a qual os dirigentes da igreja primitiva não desorganizaram nem modificaram. E a razão clara para tal é que isso, de nenhuma forma, toca na real natureza do que é a igreja e, portanto, não afeta os ensinamentos errados e mudanças nas práticas da igreja que eles introduziram uma ou outra vez. Eles conseqüentemente deixaram isso intocado e permaneceu como os apóstolos originalmente estabeleceram).
  • Quando as igrejas se reúnem, isso é feito em residências.
  • Quando elas se reuniam nos lares, o louvor comum e a participação coletiva eram completamente abertos e espontâneos (I Coríntios 14:26 descreve o procedimento como “o que cada um tem”), sem que ninguém esteja liderando do púlpito.Os cristãos primitivos não nada que sequer se aproximasse de um culto atual.
  • Como parte desses procedimentos, eles comiam a Ceia do Senhor como uma refeição completa, certamente como a principal do dia, comumente se referindo a ela como banquete.
  • Eles entendiam que cada igreja seria uma extensão da unidade familiar (a idéia de igrejas como instituições ou organizações provavelmente era totalmente alheia a eles) e praticavam uma liderança não hierárquica, plural e masculina, através de anciãos que emergiam da própria igreja. Esses líderes locais (anciãos, pastores e bispos são sinônimos, no Novo Testamento) tentavam liderar o mais consensualmente possível e estava claro que suas funções eram meramente funcionais e de nenhuma maneira posicionais.

 

Vimos que a Bíblia claramente revela sobre como os apóstolos (que receberam pessoalmente de Jesus as revelações e ensinamentos) agiam para estabelecerem as normas de funcionamento e operação das igrejas. Mas, a questão que se nos apresenta é: “Quanto da ‘receita’, poderia ser modificado, sem que a igreja deixasse de ser bíblica, quanto à sua natureza e funcionamento?. (Eu me expresso dessa forma pelo fato de que natureza e funcionamento são totalmente relacionados, sendo as duas faces de uma mesma moeda. Como em tudo mais na vida, a forma segue a função – aqui, também isso ocorre. Pais e filhos, por exemplo, interagem de forma diferente daquela usada entre colegas de trabalho e é a diferença em natureza que faz a diferença em função tão importante. Uma família onde pais e filhos se relacionem mais como colegas de trabalho do que como parentes do mesmo sangue será um exemplo, não de uma família normal, mas de uma família disfuncional [cujas funções se manifestam de maneiras anômalas]. Da mesma forma, igrejas que funcionam como instituições ou organizações, muito mais do que como extensões da família de Deus, são exemplos de igrejas disfuncionais e, biblicamente falando, não são normais)”.  

Vamos então procurar responder à indagação acima e descobrir quais as partes do modelo apostólico que não são essenciais (se existirem) para a manutenção da natureza e da função da igreja bíblica. Começaremos com o assunto referente ao dia no qual a igreja deve se reunir.

Já que natureza e função são na verdade relacionadas, isso é inteiramente neutro e os pais da igreja primitiva então entenderam isso, de maneira a não verem necessidade de fazer modificações. Eles viram que se pode alterar o funcionamento e a natureza das igrejas sem interferência do dia em que ela se reúne e, a esse respeito, deixar as coisas como no status quo apostólico. E, contrariamente, uma igreja bíblica pode mudar o dia em que se reúnem e continuar a praticar e funcionar da mesma maneira em todos os outros aspectos.

Eu desejaria ser o primeiro a dizer que ser (natureza) e fazer (função) uma igreja bíblica é mais importante do que o dia no qual se reúne. Eu preferiria ser parte de uma igreja que fosse bíblica em prática e função e que se reunisse, digamos, às terças ou quintas feiras, do que pertencer uma igreja que se reunisse aos domingos mas que não fosse bíblica de acordo com nossa definição anterior. Mas, aqui está minha questão: Quando os pioneiros da igreja pessoalmente escolheram não mudar o dia das reuniões dos crentes, em que bases e por quais possíveis razões o fizeram?

Contudo, eu afirmo novamente que aceito sem reserva alguma que reuniões da igreja em outro dia da semana que não o domingo possam ser inteiramente bíblicas.  Ainda mais, se um dia se tornasse ilegal reunir-se aos domingos, mas não às quintas-feiras, então eu iria, sob as circunstâncias extremas, sentir-me inteiramente feliz em fazer as necessárias mudanças. Mas, fora essas circunstâncias atenuantes (e eu vou retornar a essa hipótese depois), por que mudar o dia no qual a igreja primitiva, sob a orientação e os cuidados dos apóstolos, se reunia? 

Deixe-me também responder agora a uma colocação legítima feita no Novo Testamento, a de que os judeus começavam um novo dia ao entardecer e de que isso significa que o primeiro dia da semana para eles começava ao pôr-do-sol do sábado. Assim, se alguma igreja se reúne nas tardes dos sábados, especificamente por essa razão, então eu aceitaria isso como uma coisa biblicamenrte correta.

Entretanto, precisamos também dizer que isso pareceria ilógico em países onde o dia é reconhecido como começando pela manhã. Como, para a maioria de nós, o primeiro dia da semana é o período de tempo que vai desde que levantamos no domingo pela manhã, até irmos para a cama outra vez, então eu manteria que as reuniões das igrejas aos domingos mantém-se como a norma bíblica, até onde podemos ver. Mas, voltemos à questão das reuniões em residências.

Ninguém, com um mínimo de conhecimento bíblico, poderá negar que as igrejas cristãs primitivas se reuniam em domicílios, nem a natureza e a forma dessas reuniões. Isso prova que nunca houve necessidade de que fosse diferente. Por definição, pode-se supor que os membros de cada igreja fossem em pequeno número, assim como as reuniões fossem interativas, sem ninguém na direção e com boa comida. Isso seria perfeito para p ambiente domiciliar. Depois de tudo, que melhor lugar poderia haver? E, mais uma vez, vimos que forma acompanha a função, como sempre ocorre no Novo Testamento. (Atribuímos aos pais da igreja primitiva a eventual mudança dos cultos, das residências para edifícios especialmente santificados. É interessante também que se note que essa foi a última modificação que eles fizeram no projeto apostólico. Na realidade, de tudo o que foi originalmente estabelecido pelos apóstolos, as reuniões em domicílios foram as que sobreviveram por mais tempo à reinvenção da igreja cristã por eles promovida).
Agora, vamos considerar a situação de vinte esquimós em uma pequena vila próxima ao Pólo Norte, que acabam de se tornar cristãos e desejam formar uma igreja. Mas, a maior moradia de que dispõem, acomoda no máximo oito pessoas. Então, se eles por isso decidem alugar um iglu maior com o propósito específico de usá-lo para suas reuniões como igreja, assumimos que eles ainda obedecem ao que a Bíblia requer e não mudam a natureza que deva ter suas reuniões. Assim, eu não vejo problema algum. Na verdade, eu preferiria ser parte de uma igreja que se reunisse fora das casas (assumindo que todas as outras práticas bíblicas estivessem corretas), a pertencer a uma igreja que se reunisse em domicílios, mas que fosse antibíblica nos demais aspectos. Se for mesmo necessário, você pode manter a natureza e as práticas de uma igreja ainda que se reúnam em algum lugar distinto de uma casa.  De fato, a igreja da qual faço parte, às vezes aluga um salão para nossa reunião, quando desejamos o tempero especial dos cânticos. Fazemos isso por amor aos nossos vizinhos, que se queixam do barulho que fazemos nessas ocasiões especiais. Porém, nos sentamos em círculo, como fazemos quando em casa e tudo o que fazemos nesse salão é inteiramente aberto à participação espontânea de cada um e jamais temos alguém liderando as atividades. Depois dessas atividades, retornamos a uma de nossas casas para o banquete do amor. Desejo, porém, evidenciar o que disse sobre ter que realmente usar outro lugar que não uma casa para as reuniões, pois não devemos permitir desvios dos padrões bíblicos, o que seria permissível apenas dentro de circunstâncias atenuantes, o que não as transformaria em normas. Deixe-me ilustrar o que digo usando o exemplo do que a Bíblia ensina sobre o batismo.
O batismo bíblico, como assim como a tradição apostólica de funcionamento de uma igreja, é mandamento do Senhor. Embora sua forma real não esteja em nenhuma página das Escrituras, nós conhecemos a maneira como a igreja primitiva fazia as coisas (tradição apostólica de novo): de que deveria ser feito imediatamente após a conversão, sem um nenhum período de espera e em água. (E a inferência de por imersão, pelo simples fato de que a palavra batismo, em português, deriva da palavra grega baptizo, o que quer dizer, literalmente, afundar, imergir ou submergir). Muitos de nós estaríamos grandemente preocupados frente a qualquer idéia de que somos livres para introduzir modificações, seja com respeito a quem deva ser batizado, ao modo do batismo ou ao tempo certo para ele – e ficamos dolorosamente conscientes de como a igreja tem massacrado cada uma dessas formas.  Assim, nossa posição é a de que cada pessoa deva ser batizada imediatamente após sua profissão de fé em Jesus e sendo submergida em água por completo.
Falemos agora de alguém que chegue ao Senhor, mas que está prostrado em uma cama, por enfermidade. O batismo, como biblicamente determinado e exemplificado no Novo Testamento, está claramente fora de questão no que respeita àquela pessoa. Então não nos competiria encontrar algum modo apropriado de resolver o problema?A resposta certamente seria sim! Em tais circunstâncias, estaríamos tecnicamente em desacordo com os ensinamentos das Escrituras com referência ao modo de batismo, ainda que em completa harmonia com sua intenção e espírito.
Mas, este é o ponto vital: nada do que acabo de afirmar poderia ser aplicado à conversão de uma pessoa fisicamente capaz, situação na qual o modo normal deveria ser usado, para que as coisas fossem feitas como o Senhor as quer. Também ninguém poderia argumentar em defesa do batismo de alguém que não houvesse se achegado a Jesus pela fé, pois isso feriria frontalmente a verdadeira natureza do batismo, ainda que sua aparência estivesse de acordo com as Escrituras.
É isso o que quero dizer quando afirmo que não devemos transformar em norma os desvios biblicamente permitidos devido a circunstâncias atenuantes. Se a igreja da qual faço parte aqui na Inglaterra tivesse acesso a casas maiores, como outras igrejas têm, como nos Estados Unidos, nem em um milhão de anos poderíamos pensar em usar um salão como local para parte de nossa reunião.  Retornemos por um instante aos nossos hipotéticos irmãos do Pólo Norte: se eles descobrissem que têm um iglu capaz de acolher a um número de pessoas igual ao de uma reunião de igreja, então que necessidade teriam de alugar um iglu maior para tal finalidade? Fica então nítido que a verdade é que qualquer processo de negociar algum desses fatores, que juntos formam parte de uma igreja bíblica, usualmente leva à implantação de alternativas espúrias a outras três áreas:

  • Louvor aberto e participativo, sem ninguém dirigindo;
  • Ceia do Senhor como uma refeição completa  e
  • Liderança local não hierárquica, plural e masculina

Gostaria de deixar bem claro que, com as três características acima, estamos tratando dos requisitos básicos, não negociáveis e irredutíveis, que produzem o que se chama uma igreja bíblica. Quero também afirmar que isso não quer dizer que tudo estará em seus exatos lugares, desde que se diga “faça-se”. É preciso, primeiro, haver instrução, desenvolvimento e crescimento espiritual. Estas sim, são as coisas as quais a igreja deve ter como seu alvo, seu norte, mesmo que ainda não tenha chegado a esse ponto. Claro que a Ceia do Senhor como refeição completa deve ser implantada desde o início, pois não haveria nenhuma razão aparente para ser diferente, ainda que a liderança normativamente se levante depois.  Pode ocorrer também que alguém precise liderar inicialmente as reuniões semanais até que outros aprendam a fazer suas partes. Mas o que se deve evidenciar é em que direção a igreja está sendo orientada, no que tange a como ela funciona e como as coisas são feitas.
O cerne dessa questão é que tudo ou todos que tocam nessas três coisas, de fato abalam a própria natureza do que seja a igreja. Mude-se alguma dessas coisas e teremos igrejas funcionando de maneira que não só é diferente do preconizado pelo Novo Testamento, mas chega mesmo a ser um organismo alienado e virtualmente o oposto ao que deveria ser. Voltando ao exemplo do batismo, dizemos que temos aqui o equivalente a batizar a um ateu. A natureza mesma da coisa é transformada e a intenção do Senhor é invalidada, cancelada – de fato, ela virtualmente desaparece. E tudo se reduz ao seguinte: por que alguém que entende essas três últimas partes do plano quereria brincar com as duas primeiras, a menos que se tratasse das circunstâncias mais atenuantes que efetivamente o forçara. Ainda estou para ouvir uma maneira melhor de expressar isso, do que a usada pelo meu amigo Steve Atkerson: “a questão não é tanto por que devemos fazer as coisas da mesma maneira como o fizeram os apóstolos, mas por que quereríamos fazer algo diferente?”
Eu creio que isso diz tudo!



                                                                                     Tradução de Otto Amaral

 

(*) Beresford Job é um ancião de tempo integral do Chigwell Christian Fellowship em Essex (próximo de Londres, na Inglaterra). Ele é casado com Belinda e tem uma filha, Bethany. Beresford nasceu de novo em 1971 e logo foi levado ao ministério evangelístico. Todavia, ele eventualmente foi conduzido a uma função pastoral itinerante e de ensino e foi reconhecido como ancião de sua atual igreja quando ela iniciou em 1988. Ele foi o locutor da 1999 Southern House Church Conference. Seu web site é http://www.house-church.org

Beresford Job
37, Beaconfield Road
Epping, Essex CM16 5AR
Inglaterra

 

 
 
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     Atualização de 15 de setembro -
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   - QUEM MATOU JESUS?

    Interessante estudo sobre as pessoas e
     as entidades que, no plano terreal, foram
     instrumentos na concretização do drama
     do Calvário.
     Análise bíblica e jurídica do processo for-
     jado contra Jesus para levá-lo à morte.
     E se Ele voltasse hoje, nas mesmas con-
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