Assim se escrevia, em caracteres gregos, (a lingua do Novo Testamento), o nome da igreja de Jesus, no tempo dos apóstolos: Ekklesia Iesous Cristos (Assembléia de Jesus Cristo).

"Antes crescei na graça e no
conhecimento de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo"
(II Pedro 3:18)
 
 
 
   
CULTOS INTERATIVOS
                                         Steve Atkerson (*)

 

                   
Cultos interativos, também chamados participativos
ou abertos, são apoiados pelas
Escrituras, pela lógica e pelos eruditos historiadores. 

 

I CORÍNTIOS 14:26 - “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais,
um tem salmo, outro tem doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para a edificação da igreja”.

 

O primeiro hino começa pontualmente às 10:30 horas da manhã (como é o costume nos Estados Unidos, onde vive o autor). Antes disso, as pessoas estavam conversando, arrumando comida nas mesas, cuidando das crianças, apanhando uma xícara de café na cozinha, abraçando umas às outras, etc. O primeiro cântico é o empurrão para que todos se reúnam na sala de estar, para que a parte mais formal da reunião informal possa começar. Normalmente, estão presentes cerca de dez famílias e dois solteiros. Contando-se as crianças, são perto de cinqüenta pessoas. Sempre alguns chegam atrasados. Geralmente existem cadeiras para todos os adultos e as crianças sentam-se no chão, próximas de seus pais. Crianças pequenas colorem gravuras ou se distraem com seus brinquedos durante toda a reunião. A roupa de todos é casual, confortável e informal.
Os músicos (dois banjos tenor, uma guitarra e um bandolim) não tentam ser líderes do louvor.  O objetivo deles é simplesmente facilitar e acompanhar o canto do grupo. Mais ou menos hinos são cantados, como solicitados. Às vezes, entre um cântico e outro, alguém faz espontaneamente uma oração ou conduz uma prece mais longa e comunicativa. Não existe boletim ou programa dos serviços, mas apesar disso, tudo é feito de uma maneira apropriada e ordeira.  Deve falar apenas uma pessoa por vez. A “primeira diretiva” é que tudo o que for dito ou feito deve ser planejado para ter o efeito de edificar, encorajar e estreitar os laços da igreja inteira.
Às vezes, vários irmãos ensinam. Em algumas semanas ninguém traz uma palavra de instrução. Com certeza aqueles que vão trazer algum ensinamento se preparam antes da reunião, mas raramente alguém é oficialmente escalado para o fazer. Entremeados aos hinos e ensinamentos, testemunhos são compartilhados sobre a provisão divina, lições aprendidas, orações atendidas, acontecimentos encorajadores, etc. Não é raro que um obreiro visitante deseje discorrer sobre seu ministério e sobre o mover de Deus em outros lugares.
Não se trata de um espetáculo ou demonstração. Não existe moderador nem apresentador. A não ser que exista um problema a resolver, um visitante sequer saberá quem é o líder. Às vezes há períodos de silêncio. Não há um prazo determinado para o fim da reunião. Normalmente ela dura uma hora e meia a duas horas. Pode acontecer que todos tenham dito o que queriam ou cantado o que tinham vontade, que as crianças chegaram ao limite da paciência ou que a fome tenha se revelado mais forte – motivos como esses são o que determinam o término dessa parte do encontro. Eles geralmente terminam com uma oração. Em seguida, as pessoas permanecem e confraternizam o quanto desejam. Normalmente, a reunião se transforma na refeição comum, dependendo do que foi feito primeiro nesta semana, se a reunião ou o almoço.
A reunião (ou culto, se preferir) descrita acima não é ficção. Esses encontros acontecem todos os domingos ao redor do mundo e, muito provavelmente não apenas na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia! Essas reuniões são modeladas segundo as que estão descritas no Novo Testamento. Os crentes e outros religiosos do Ocidente acostumaram-se de tal forma a participar de cultos em santuários especialmente construídos, com vitrais, torres, órgãos de tubos, bancos de madeira, púlpitos, coros, boletins e ministros de louvor que acabaram assumindo que esses detalhes são biblicamente exigidos. A realidade é profundamente diferente do que tipicamente acontece hoje.


Argumentos bíblicos para as reuniões interativas

O ponto chave do assunto está na questão que Paulo propôs aos crentes de Corinto: “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais, um tem salmo, outro tem doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para a edificação da igreja” (I Coríntios 14:26). Se a Bíblia tivesse declarado que “apenas um tem salmo, doutrina, revelação, língua e interpretação...”, ao contrário do que deixa claro, o versículo descreveria bem mais apropriadamente um culto moderno. Entretanto, fica claro no texto que os cultos não eram um evento para ser assistido passivamente. Existia interação, espontaneidade e participação. Na realidade, não havia audiência, pois cada um dos irmãos era potencialmente um membro da equipe apresentadora.
A natureza espontânea e interativa das reuniões é também evidente nos regulamentos que dizem respeito àqueles que falam em línguas: “Se alguém falar em língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e cada um por sua vez, e haja um que interprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (I Coríntios 14:27-28). Foram esses irmãos que falam em línguas escalados antecipadamente para falar? Certamente que não, dado o caráter sobrenatural desse dom. Que a reunião é interativa é evidente pelo fato de que até três pessoas podem falar em línguas na mesma reunião e pela necessidade de haver um intérprete presente.
Outras indicações da natureza participativa dos cultos são vistas nas diretrizes dadas aos profetas (I Coríntios 14:29-32). Primeiro, somos informados de que “dois ou três profetas devem falar e os outros devem considerar cuidadosamente o que é dito” (14:29). A espontaneidade da reunião continua clara em 14:30-31: “Mas se a outro, que estiver sentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, cada um por sua vez; para que todos aprendam e todos sejam consolados”. Sem dúvida, cada um dos profetas vem para a igreja “vazio”, nada planejando dizer, mas depois recebe a revelação, estando sentado e ouvindo aos outros.
Uma das mais controvertidas passagens do Novo Testamento está em I Coríntios 14:33-35, a respeito do silêncio da mulher nas reuniões (1). Seja o que for que as mulheres supostamente não deveriam falar, nada haveria a escrever a respeito, se as reuniões não fossem participativas.  Isso fica mais óbvio em 14:35, onde vemos que as pessoas faziam perguntas aos oradores durante as reuniões da igreja: “E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos...”. Ainda que Paulo quisesse dizer que as mulheres não deveriam formular as questões, os homens ainda ficariam livres para o fazer. O ponto a ser evidenciado é que as reuniões da igreja não são comunicação de uma só mão de direção. Deve haver diálogo, interação e uma permanente troca de contribuições entre o orador e a igreja.
Quase todas as epístolas do Novo Testamento são “documentos ocasionais”, dado o fato de que foram escritas em resposta a algum problema local. Fica evidente em I Coríntios que alguém pretendeu conduzir as reuniões de forma diferente do que o definido nessa passagem. Fica também claro que alguns aspectos das reuniões da igreja de Corinto estavam sendo incorretamente observados, como demonstram essas duas questões: “Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?” (I Coríntios 14:36). A Palavra de Deus, realmente, não se originou dos coríntios, nem foram eles os únicos para os quais ela foi revelada. Essas questões então foram dirigidas a eles para convencê-los de que não tinham o direito nem autorização para conduzir suas reuniões de nenhuma outra forma, além daquela descrita em I Coríntios 14. A inspirada correção foi para que houvesse, por parte da igreja, um ajuste, uma disciplinada interação; não se tratou de uma proibição, como se vê nos versos 39 e 40: “Portanto, irmãos, procurai com zelo o profetizar, e não proibais o falar em línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”. Verdadeiramente, o imperativo de que se mantenham os cultos em sua forma espontânea e interativa é declarado em I Coríntios 14:37: “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor”. Assim, I Coríntios 14 não é somente descritivo dos cultos da igreja primitiva, mas é realmente normativo quanto à forma que o Senhor deseja que impere nos cultos de toda a igreja.
Não é surpreendente que os cultos da igreja primitiva fossem interativos. Os primeiros crentes na maioria das áreas do Império Romano tinham raízes judaicas. Eles estavam acostumados ao estilo típico das sinagogas, que é aberto à participação dos presentes aos cultos. Um exame a Atos 13:14-15, 14:1, 17:1-2, 17:10, 18:4 e 19:8 revelará que os apóstolos jamais teriam evangelizado como o fizeram, a não ser através do uso da liberdade de falar nos cultos, oferecida pelas sinagogas. Os apóstolos foram sempre autorizados a falar, nesses cultos abertos. Na realidade, nas reuniões dessas sinagogas do primeiro século, nada havia de semelhante aos cultos típicos das igrejas cristãs ocidentais de hoje. Nos nossos dias, Paulo e seus companheiros teriam que descobrir outra maneira de atingir aos judeus com o Evangelho.
Existem ainda outras evidências sobre o assunto: em Atos 20:7, descobrimos que Paulo “se manteve falando (pregando) até a meia-noite”. A palavra grega usada para “falando” é dialegomia que significa realmente “considerar e discutir, argumentar”. Nossa expressão “diálogo” deriva da palavra dialegomia. Mais adiante, o autor da carta aos Hebreus (em 10:25) advertiu aos seus leitores que ”não deixemos de congregar-nos, como é hábito de alguns; antes admoestando-nos uns aos outros...”. O aspecto de “uns aos outros” dessa instrução se adapta muito mais a um evento interativo.
O argumento maior sobre o tema é oferecido em I Coríntios 14, onde se referindo a qualquer coisa dita ou cantada nas reuniões da igreja, diz que “faça-se tudo para edificação”. A palavra grega usada é oikodome, que traduzido é “construindo” ou “edificando”. O autor de um dos melhores dicionários específicos, Thayer, afirma que essa palavra denota ação de alguém que promove o crescimento de outro no Cristianismo. Assim, tudo feito nas reuniões da igreja, deve ser para ajudar a congregação. Tudo precisa ser planejado para encorajar, fazer crescer, fortalecer ou edificar aos outros crentes presentes. Paulo incentivou a profecia mais do que o falar em línguas em público, porque todos os que profetizam nos cultos falam aos homens para seu fortalecimento, encorajamento e conforto”  (I Coríntios 14:3), com o resultado de que a igreja é “edificada” (14:5). Os irmãos de Corinto foram instruídos a que “procurai abundar neles (os dons espirituais) para a edificação da igreja” (14:12). Essa ênfase em edificação é também vista em Hebreus 10:24-25, onde crentes são convidados a se reunirem no sentido de estimular, amar, fazer o que é correto e a “encorajar” uns aos outros.
Uma observação final precisa ser feita, a respeito dessas intocadas reuniões: seu propósito. Nas atuais assembléias, as pessoas são inspiradas a louvar pela imponente arquitetura, grandes corais, retumbantes órgãos de tubos e emocionantes orações. Por isso, o encontro é também geralmente chamado de “serviço de louvor” ou “culto de louvor”. Essa designação sugere que a razão principal para o encontro é a de louvar a Deus. Ainda que estranhamente, o Novo Testamento jamais se refere a uma reunião da igreja como um “culto de louvor”. Paulo, em Romanos 12:1-1, fez menção a um “culto espiritual de louvor” (NASV, uma das traduções da bíblia em inglês), mas ele se referia a uma vida de santidade, não a uma assembléia de santos.
Muitas coisas podem contribuir para o fortalecimento da igreja, incluindo o louvor em grupo. Louvor, entretanto, não é a única atividade que pode edificar. O problema reside parcialmente em designarmos a reunião de “culto de louvor”. Primeiramente, cultos devem ser interativos, não um “serviço”. (Nota do tradutor: a idéia que o autor quer passar aqui é a de que “serviço” é algo que é feito por alguma pessoa – ou mais de uma – para outras pessoas, que o recebem passivamente, não sendo uma atividade exercida por todos e para todos, logo interativa). Segundo,a designação está sugerindo que o louvor será a única atividade importante que ocorrerá. Outras formas de edificação parecem estar fora de cogitação. As pessoas são induzidas a esperar emoções e sentimentos como os que são associados à arquitetura de catedrais, velas, santuários silenciosos, vitrais, musica inspiradora de reverência e a apresentação de um programa que é em essência um espetáculo. Com essas expectativas não bíblicas, um verdadeiro (e bíblico) culto como o de I Coríntios 14 será visto como estranho, desconfortável ou desconcertante.

Jesus disse à mulher no poço que “a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” (João 4:21-24). Dizendo isso, deixou Ele claro que o louvor do novo concerto nada tem a ver com qualquer lugar em particular ou com qualquer tempo. Ele transcende a domingo à noite e não pode ser localizado em qualquer “santuário”. Existem duas palavras principais em grego, no Novo Testamento, para “louvor”. A primeira é proskuneo e se refere a uma atitude de reverente adoração a Deus. Ela é humildade perante o Pai. Ela é reverência, reconhecimento, respeito e admiração. Essa atitude de devoção íntima aparece na prática, com a segunda palavra para louvor, latreia, que se refere a uma vida de obediência e serviço. Louvor, então, é tanto atitude  quanto  ação.  Como Francis Scott Key escreveu num hino, “Ainda mesmo que as palavras jamais possam dimensionar, deixe minha vida mostrar para sempre louvor a Ti”.  Então, assim como nossa participação no culto semanal é positivamente um ato de louvor, também o é o ato de irmos para o trabalho todo dia, educar nosso filho, amar nossa família, etc. Sob o Novo Concerto, tudo na vida é sagrado.

A reunião de domingo é para benefício das pessoas presentes. Não é Deus que precisa ser revigorado, pois Ele não é fraco. Deus não precisa ser encorajado, pois Ele não fica cansado nem desanimado. O povo de Jesus (nós) é desprovido de muitas coisas, mas Jesus não! A finalidade dos cultos é capacitar o povo de Deus a sair e louvar a Deus mais uma semana (Hebreus 10:24-25). É para motivar aos eleitos ao louvor mais profundo e à obediência. É para recarregar suas baterias espirituais.


Argumentos Lógicos para os Cultos Interativos

É fato histórico que a igreja cristã primitiva se reunia nas casas de seus membros. Nenhum edifício especial para igreja foi construído durante a era do Novo Testamento ou nos duzentos anos seguintes. Isso necessariamente quer dizer que as reuniões não eram grandes. Esse cenário concorre contra a possibilidade dessas reuniões originais haverem consistido de eloqüentes sermões “entregues” a multidões de silenciosos ouvintes.
Depois do Cristianismo haver se tornado a religião oficial do Império Romano, templos pagãos foram transformados, por decretos governamentais, em prédios de igrejas. Os crentes foram arrebanhados dos cultos domésticos para as enormes basílicas. Essas enormes reuniões não propiciavam mais a participação de todos, transformando-se naturalmente em um espetáculo ou “serviço”.  Todos os ensinamentos interativos tornaram-se monólogos, assim como as pregações e orações. Perguntas da “audiência” não foram mais permitidas. A espontaneidade estava perdida. O aspecto do “próximo“ na assembléia tornou-se impraticável. A informalidade deu lugar ao formalismo.  Os dirigentes das igrejas começaram a vestir roupas especiais. Auxiliares do louvor foram introduzidos: incenso, imagens, gestos com as mãos, etc. Hoje, inclusive as músicas são selecionadas antecipadamente pelos músicos qualificados. Em resumo, o estilo do Novo Testamento foi substituído por um formato elaborado pelo homem.
O importante é: qual o tipo de culto que melhor atende às necessidades do povo de Deus? Com certeza muitos benefícios advém da proclamação semanal da Palavra de Deus, pelos líderes de igrejas que são conhecidos por “pregadores”. Também são benéficos os inspirados cânticos dos grandes hinos da fé. Não obstante, acreditamos que exista mais em um culto do que meramente “assistir” a um “serviço religioso”. Permitir que os irmãos que o desejem participem verbalmente da reunião admite também uma profunda intervenção do Espírito Santo, com o início da atuação dos vários dons e seus ministérios. A não permissão ao funcionamento destes, causa na igreja desde apatia até atrofia. Deus pode escolher muitos irmãos, independentes uns dos outros, para trazer um ensinamento. O aprendizado é mais efetivo com a formulação de questões ao apresentador do assunto.  Resultados adicionais e ilustrações podem ser acrescentados pelos ouvintes. Falsas doutrinas podem ser julgadas e expostas publicamente, no mesmo ato da apresentação. Crentes recém-convertidos aprendem a pensar biblicamente com a mente de Cristo, à medida que assistem crentes mais maduros debatendo e interagindo uns com os outros. Os índices de maturidade disparam. Os irmãos passam a “ser donos” das reuniões, assumindo responsabilidade pelo que acontece e se tornando ativamente envolvidos.


Testemunho dos Estudiosos sobre os Cultos Interativos 

O fato de que as reuniões das igrejas do Novo Testamento eram inteiramente abertas e participativas, sem uma liderança única e exclusiva, é corroborado pelas pesquisas. Por exemplo, o Dr. Henry R. Sefton, no livro A Lion Handbook – The History of Christianity (“Manual Lion – A História do Cristianismo”), declara: “Louvor na igreja doméstica era uma coisa íntima, na qual todos os presentes tomavam parte ativamente... isso mudou, tornando-se, de uma ação coletiva de toda a igreja em um ‘serviço’ apresentado pelos clérigos, ao qual os leigos assistem” (pág. 51).
O Dr. John Drane, em Introducing the New Testament (“Introduzindo o novo Testamento”), escreveu que, “nos tempos antigos... o louvor deles era espontâneo”. Isso parece ter sido considerado ideal, pois Paulo deixa isso claro, ao descrever como uma reunião deveria ser realizada, para espelhar a participação do Espírito Santo através de muitos, senão de todos os presentes. O fato é que todos tinham liberdade na participação nesses cultos. Na verdade, quanto alguém era inspirado pelo Espírito, isso era a perfeita expressão da liberdade em Cristo.


Considerações Práticas 

Um aspecto dos cultos do Novo Testamento que ainda nos é familiar são os cânticos. A igreja de Éfeso foi instruída a permanecer “falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Efésios 5:19). Similarmente, os colossenses foram exortados a deixar que “a palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações” (Colossenses 3:16). Talvez não seja tão familiar aos crentes de nossos dias o “uns aos outros” de ambas as passagens citadas. De acordo com I Coríntios 14:26, “cada um” dos irmãos teria a oportunidade de oferecer um hino à congregação. Nenhuma referência é feita no Novo Testamento a um ministro de música ou a um líder de louvor que dominasse ou controlasse os cânticos. É uma benção possuirmos músicos qualificados na congregação, que possa auxiliar a igreja no louvar e no cantar. No entanto, para ser fiel às determinações do Novo Testamento, essa pessoa precisa ter o cuidado de não estabelecer um monólogo nem se comportar como um astro (ou estrela) num palco.  Aos irmãos na igreja  deve  ser dada a liberdade e a responsabilidade de escolherem todos os hinos a serem cantados, em todas as ocasiões.
Tratando desse assunto e fazendo um jogo de palavras, algumas pessoas se posicionam contrárias ao uso de instrumentos nos cultos. A palavra grega para “hino” (I Coríntios 14:26) é psalmos, que fundamentalmente quer dizer “canções acompanhadas por instrumentos de cordas”. Desde que instrumentos não são proibidos e desde que não existem orientações específicas para seu não uso, sentimos que esse assunto é de livre decisão de cada um.
Outro aspecto das reuniões da igreja primitiva que continua até hoje são as pregações da palavra de Deus. Nosso Senhor instruiu aos apóstolos que batizassem todas as nações, “ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus 28:20). Da mesma forma, aprendemos em Atos 2:42 que os irmãos da igreja de Jerusalém “perseveravam na doutrina (aprendiam) dos apóstolos”. Depois, “ensinar” (que hoje traduzimos também “pregar”) é relacionado como um dom espiritual, em Romanos 12:7 e I Coríntios 1:28. Vemos também que um dos requisitos para um ancião (ou pastor) era que ele fosse “apto para ensinar” (I Timóteo 3:2). Anciãos que trabalhassem dedicadamente “ensinando” (I Timóteo 5:17-18) eram merecedores de “honra dobrada” (naquele contexto, refere-se a recompensa financeira). Apesar disso, em I Coríntios 14, ensinar foi colocado no mesmo nível de importância de outras atividades. Ao pregador não era dada a proeminência que hoje percebemos em nossos cultos. A “qualquer um” dos “irmãos” era dada a oportunidade de contribuir com uma “palavra de instrução” (14:26). O que isso exige de nós hoje é que, ao lado de darmos a importância devida ao ministério de ensino, deixarmos aberta a participação nele, a todos os irmãos que desejem ensinar. Praticamente, isso nos leva à sugestão de que cada ensinamento deve ser breve o bastante de forma a permitir “oportunidade” para quantos queiram dar sua colaboração.
Vemos com surpresa que pastores não são mencionados em I Coríntios 14. Isso provavelmente se deva a que os pastores não monopolizavam as reuniões com seus sermões. Isso não quer dizer que os anciãos não devem pregar, mas está claro em I Coríntios 14 que aqueles que não são anciãos também devem ter espaço para se expressarem.  Assim sendo, o autor de Hebreus declara que “a essas alturas, vocês já deveriam ser mestres” (Tradução NIV americana) Hebreus 5:12. Que ele não deveria ter os professores em mente é evidente pela sua saudação (“Saudai a todos vossos mestres...” 13:24), que demonstra que ele nem esperava que os mestres lessem a carta! Ainda que essa oportunidade de pregar exista para todos, não é obrigatório que todos preguem. Os anciãos devem alertar a igreja de que “Não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo” (Tiago 3:1). O alerta de Tiago faz sentido no contexto das reuniões interativas que caracterizavam a igreja primitiva.
Essa liberdade para todos os irmãos pregarem é precisamente o motivo principal da necessidade dos anciãos. Se um irmão oferece um exemplo ou ensinamento errado, é dever dos anciãos apontar o engano. O missionário Timóteo, quando temporariamente colaborando em Éfeso, teve que “advertir a alguns que não ensinassem doutrina diversa” (I Timóteo 1:3). Uma dos requisitos para um ancião é que ele precisa “reter firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer aos que nos contradizem” (Tito 1:9). Tito disse ainda: “Fala estas coisas, exorta e repreende com toda autoridade. Ninguém te despreze” (Tito 2:15). Essas diretrizes são especialmente aplicáveis a reuniões de igrejas que sejam participativas.
Ninguém deve argumentar que alguns irmãos são mais qualificados para ensinar, para pregar, do que outros. Um homem idoso, crente fiel, capacitado para ensinar, que ama ao Senhor, que estuda a Palavra e que serve aos outros com sua vida, certamente tem profundas lições e exemplos a compartilhar com a igreja.  Na presença desse homem o resto de nós deve estar “pronto para ouvir e tardio para falar” (Tiago 1:19). Espaços especiais devem ser dedicados para que esse homem exponha a Palavra de Deus. Porém, essas reuniões são o que Watchman Nee chamou de “reuniões de obreiros” ou “reuniões apostólicas”, não cultos de I Coríntios 14. O caso é que há tempo e lugar para ambos.
As igrejas carismáticas estão familiarizadas com revelações, línguas e interpretações. Essas igrejas precisam estar certas de que as orientações de I Coríntios 14:26-32 estão sendo seguidas corretamente. Línguas sem interpretação não devem ser permitidas. Isso deve servir de carapuça para os que falam em línguas. Apenas uma pessoa por vez deve falar. Profecias precisam ser avaliadas e qualquer um que deseje profetizar necessita antes pensar que suas palavras serão cuidadosamente pesadas.  Sem dúvida, muito do que passa por profecias e línguas é fraude. Conviver com elas pode ser desorientador e frustrante, pois pessoas super emotivas e sugestionáveis podem imaginar que têm esses dons, sem os possuir. Talvez fosse por isso que os crentes da Tessalônica foram instruídos a que “não desprezeis as profecias, mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom e abstende-vos de toda espécie de mal” (I Tessalonicenses 5:20-22). Além disso, em meio a essas declarações sobrenaturais, é preciso que haja ordem: “pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas; porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz” (I Coríntios 14:32). Os anciãos desempenham uma missão chave, a de cuidar para que todos os presentes à reunião façam tudo “decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40).
Algumas igrejas acreditam que os dons carismáticos cessaram no primeiro século ou que não existe hoje ninguém com os dons. Ainda assim, o princípio da interação nos cultos permanece. Os irmãos devem, ainda assim, ter a liberdade de oferecerem ensinamentos (pregando), solicitar ou apresentar hinos, testemunhar, orar, fazer perguntas aos oradores, etc. Apesar de nossas suspeitas teológicas, é preciso atender ao que as Escrituras claramente instruem: “não proibais o falar em línguas” (14:39). Talvez as línguas hajam cessado, talvez não. Estaremos nós tão certos de nossa teologia que desejemos contradizer uma determinação bíblica?
Mais uma consideração prática a favor dos cultos participativos diz respeito à idéia de um moderador ou apresentador.  Note que isso não é mencionado em I Coríntios 14. Na medida em que vai amadurecendo a experiência de uma igreja em reuniões interativas, a necessidade de alguém para moderar os cultos vai diminuindo. O ideal é que um visitante, numa igreja funcionando apropriadamente, sequer saiba quem são seus líderes, a não ser que haja algum problema que precise de solução.
Um alerta foi emitido pelo inspirado escritor em I Coríntios 14:38. Depois de declarar que esses ordeiros e participativos cultos são “mandamento do Senhor” (14:37), ele acautela a todos que, se o desrespeitarem, serão “ignorados”. Apesar de que não seja claro o que representa ser “ignorado”, trata-se certamente de algum tipo de punição. Um preço há de ser pago pelo desrespeito ao “mandamento do Senhor” sobre as reuniões das igrejas.
O autor deste livro tem muitos anos de experiência prática em cultos participativos.  Observamos que existem alguns problemas típicos que já podem ser esperados. Assim, nós os detalhamos abaixo, na esperança de que eles possam ser prevenidos.

“Batata de banco” - Muitos freqüentadores de igreja, após anos de freqüência aos serviços, estão condicionados a se sentarem silenciosamente, como que assistindo à televisão. Esses demandam tempo e incentivo para superar isso.  Uma participação mais profunda será meio desajeitada de início. É possível que um incentivo e encorajamento contínuos sejam necessários durante a semana, até que a pessoa “rompa a barreira do som”. Há um testemunho que o Senhor deseja que você partilhe? Existe algum cântico que pode edificar a igreja? Há alguma passagem ou assunto bíblico a serem ensinados? Se uma corrente for estendida através de um rio, coisas serão seguras por ela, à medida que os dias passem, coisas essas que iriam embora flutuando, sem a corrente ali. Da mesma forma, pensar durante toda a semana sobre que colaboração levar ao culto de domingo ajuda muito.  Se ninguém levar comida para a ceia, nada haverá para comer. Igualmente, se ninguém for à reunião preparado para colaborar, não haverá muito que usufruir dela! Homens, será que suas esposas acabarão gastando mais tempo preparando a comida, do que vocês pensando no que vão dizer no culto?

Comentários não edificantes – Às vezes, as pessoas, depois de começarem a falar, vão ficando mais casuais. A conversa rola solta. Apenas por ser a reunião “aberta”, isso não quer dizer que as pessoas podem dizer o que querem. Os líderes precisam relembrar a igreja que tudo a ser dito na reunião deve ser orientado para a edificação do corpo e para o encorajamento de todos. Como Pedro disse, “se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus” (I Pedro 4:11). Reuniões de igreja não se destinam a ser sessões de terapia para doentes, com tudo centralizado em uma pessoa e suas necessidades. Ainda que algumas pessoas careçam de aconselhamento, isso é geralmente feito em outra hora que não o culto coletivo (o mesmo que em I Coríntios 14:4).

Soma de ignorância – Isso é o oposto a ensinar algo. É uma espécie de antiensino. Ao invés de estudar antes um assunto para oferecer um ensinamento, alguns chegam ao culto totalmente despreparados e simplesmente atiram uma questão à igreja reunida, esperando uma resposta. Desencoraje as pessoas a endereçarem perguntas desse tipo à igreja. Elas só edificam a pessoa que perguntou e não são elaboradas para edificar a igreja. Elas são muito orientadas “para mim”, são feitas apenas para atender a uma necessidade pessoal. Se ninguém houver antes estudado o assunto, a tentação será a de responder à questão assim mesmo e, então, teremos uma “soma de ignorância”.  Não há substituto para o sistemático, cuidadoso e profundo estudo das Escrituras, antes dos cultos – e também não há desculpas para não fazê-lo!

Reuniões extras – Usualmente convocadas pelo boletim da igreja, para tratar de ensino, música, etc., adiantadamente. Evite sufocar o Espírito! Está claro em I Coríntios 14 que os cultos das igrejas do Novo Testamento são geralmente espontâneos.

Visitantes perturbadores – Visitantes desinformados podem facilmente levar reuniões a eventos não edificantes. Egocêntricos tentarão se impor. Pessoas mentalmente instáveis poderão falar muito alto, para o desgosto da assembléia. Críticos talvez ataquem o que a igreja faz ou no que acredita. Os líderes, nesses casos, são necessários para restaurar a ordem com prudência e paciência. Os visitantes precisam ser instruídos antecipadamente das divinas orientações encontradas em I Coríntios 14. Uma pitada de prevenção vale mais do que um quilo de cura! É mais apropriado que se convide ao crítico para que deixe para colocar suas opiniões depois, quando a reunião tiver terminado, durante a confraternização da ceia ou em um estudo a ser feito a respeito, em outro dia.

Controle do número de participantes - Reuniões com muitas pessoas ou com muito poucas criam seus próprios obstáculos para os cultos participativos. Com pouca gente pode ser monótono e aborrecido. Muitos presentes podem intimidar aos mais tímidos e atrapalhar a participação mais aberta.

Líderes de louvor - Músicos são para facilitar o cântico da congregação e não para controla-lo! Afaste-se do líder de louvor que tente dirigir a reunião e transformá-la em espetáculo.

Pontualidade – Igrejas baseadas em relacionamentos são notoriamente ruins quanto a começar atrasadas. Se for anunciado que uma reunião começará em determinada hora, a liderança precisa cuidar para que ela realmente se inicie pontualmente. É uma questão de cortesia e respeito para o valor do tempo das outras pessoas. Chegar na hora também demonstra respeito. Chegar sempre atrasado às reuniões demonstra uma agressão passiva. E, antes de tudo, é uma atitude rude e uma prova de desconsideração.

Apresentadores – Alguns líderes tentam apresentar os cultos, como se faz nos programas de entrevistas da televisão. Talvez isso seja necessário na infância de uma igreja, mas depois não será mais requerido. Depois, nada existe contra o silêncio ocasional. Confie no Espírito Santo para dirigir a assembléia. Idealmente, um visitante a uma  igreja  do  modelo de I Coríntios 14 não deve ser capaz de reconhecer quem são os anciãos da igreja, a não ser que surja algum problema a ser resolvido. A não participação ativa no culto deve ser reconhecida como um problema e os anciãos talvez precisem atuar para encorajar a quem seja preciso.

Crianças – A igrejas do Novo Testamento entendem como necessária a presença das crianças às reuniões com seus pais. Paulo teve a intenção de que cada uma de suas cartas fosse lidas por todas as igrejas (Colossenses 4:16). Baseando-nos em Efésios 6:1-3, vemos que as crianças estavam presentes às reuniões das igrejas do Novo Testamento e não colocadas em locais separados. De outra forma, não poderiam ter ouvido as instruções de Paulo endereçadas a elas, quando a carta foi lida. Consulte também, a esse respeito, Mateus 19:13-15, Lucas 2:41-50 e Atos 21:5.

Falsas expectativas – As pessoas geralmente vêm para os cultos de I Coríntios 14 com noções preconcebidas sobre como deve ser a reunião. Por exemplo, alguns esperam um transformador culto de louvor; outros, desejam apenas cantar os grandes hinos da fé ou associar cânticos de enaltecimento ao Senhor com uma comovente adoração. Existem também os que desejam ver dramáticas curas, uma poderosa leitura da Bíblia ou uma emocional apresentação dos evangelhos. O não atendimento a essas expectativas resultará sempre em desapontamento e frustração. Os líderes da igreja precisam estar atentos quanto a isso e devem adotar medidas que auxiliem as pessoas a descobrirem as expectativas bíblicas para os cultos. Em resumo, a terem os mesmo objetivos que o Senhor tem a esse respeito.


Objeções

Alguns apresentam vigorosas objeções a esse tipo de culto. Com boas razões eles têm medo que o caos e a anarquia possam dominar o encontro. Porém, é preciso que nos lembremos que, embora haja ordem num cemitério, ali não existe vida! É preferível que exista vida, ainda que corramos o risco de alguma desorganização. Manter a ordem é a função dos anciãos. Os líderes da igreja são também responsáveis pelo treinamento dos santos, para que eles estejam preparados para contribuírem significativamente para os cultos e para julgarem por si mesmos os erros que porventura ocorram. Além disso, o Espírito Santo deve ser livre para atuar na vida da igreja. Se as Escrituras revelam verdadeiramente a vontade de Deus para que os cultos sejam participativos, então o Senhor deseja também vê-los sendo realizados com sucesso completo.
Francamente, alguns pastores se opõem às orientações de I Coríntios 14 precisamente porque atendê-las resultaria num enfraquecimento do prestígio do pastor. É triste, mas uma pequena percentagem de pastores tropeça em seus egos ou têm necessidade de auto-afirmação, satisfeita apenas quando se sentem os “astros” de uma apresentação. Este é um ponto cego que precisa ser vencido e do qual eles devem se arrepender. Exagero nas determinações de I Coríntios 14 pode ocorrer se os crentes se deixarem intoxicar por sua recém encontrada liberdade, que pode leva-los na direção da anarquia ou do gnosticismo. Eles se tornam cautelosos em excesso com as “agendas”. Para eles, qualquer um que demonstre inclinação para liderar ou qualificações é alguém autoritário ou do mal. Ainda que seja óbvio que Paulo tinha uma “agenda” para as igrejas às quais ministrava. Equilíbrio é a chave para essa situação. Nós precisamos estar de acordo com a agenda de Deus quanto a ajudar Suas igrejas a andarem conforme Seus mandamentos!
Não são poucas as pessoas que leram I Coríntios 14 e julgaram suas igrejas totalmente enquadradas nessa passagem, por estarem suas congregações participando através de leituras responsivas, pondo-se de joelhos, compartilhando o pão e o vinho da Ceia do Senhor, cantando hinos, entregando os dízimos e ofertas etc. Parte do problema é que tudo isso foi planejado apenas por alguns, a estrutura é a mesma todas as semanas, e o programa completo dos cultos vem sempre já impresso no boletim. Há uma participação, embora muito limitada, da audiência, mas não há real liberdade. Tem algum irmão liberdade de escolher um hino? De pregar? De levantar a mão e fazer uma pergunta? Há espontaneidade neles?


Conclusão: Afirmações e negações

Que conclusões podem ser tiradas sobre de que forma Deus deseja que os cultos semanais sejam conduzidos?

Nós afirmamos que:

  1. As reuniões devem ser participativas e espontâneas.
  2. Tudo o que for dito ou feito deve ser orientado para fortalecer (edificar) a igreja como um todo.
  3. Apenas uma pessoa por vez deve falar à congregação.
  4. Tudo deve ser feito de forma correta e ordeira.
  5. Uma das atribuições de um ancião nesses cultos é mantê-los “nos trilhos” e mantê-los fieis á diretiva principal, a de que tudo deve ser feito para edificação.
  6. Esse tipo de reunião interativa não é opcional, nem uma história interessante, menos ainda uma informação pitoresca. Esses cultos são “mandamentos do Senhor” (I Coríntios 14:37).

Nós negamos que:

  1. “Serviços (cultos) de Louvor” foram gerados pelas igrejas do Novo Testamento.
  2. Assembléias numerosas como cultos semanais são padrão do Novo Testamento.
  3. Reuniões da igreja precisam ser dirigidas do púlpito por um líder de culto (ou pastor).
  4. Boletins são necessários ou pelo menos um pouco benéficos para as reuniões da igreja.
  5. Apenas uma pessoa pode pregar nas reuniões.
  6. Pregadores devem ser escalados com antecedência.
  7. Rituais e cerimônias são parte dos cultos das igrejas do Novo Testamento.
  8. Apoios especiais são importantes para o culto, como incenso, roupas especiais, imagens, estátuas, vitrais ou edifícios decorados no estilo catedral.
  9. Apresentações no estilo de espetáculos podem substituir aquelas prescritas no Novo Testamento.

                                           
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Carta a Prováveis Visitantes

Estamos honrados que você tenha demonstrado interesse em participar de um de nossos cultos. Nós fazemos um esforço deliberado para conseguir acompanhar as tradições dos apóstolos originais nas práticas de nossa igreja. Então, embora de certa maneira sejamos “tradicionais”, o que fazemos é não convencional pelos padrões atuais. De qualquer forma, o que se segue dará a você uma boa idéia do que encontrará. Esperamos que você se sinta à vontade e estimulado quando se reunir conosco.

Nossa igreja original cresceu e dividiu-se em duas. Apesar de interdependentes, cada uma é autônoma. Uma se reúne pela manhã e a outra à tarde, ambas em NE Oz, próximo à Estrada Yellow Brick. Para obter o endereço e orientações, por favor, chame:

Igreja da Manhã
John & Violet Calvin 770-493-1234
Charles & Daisy Spurgeon 770-938-1234

Igreja da Tarde
Jonathan & Marigold Edwards 770-908-1234
George & Rose Whitifield 770-455-1234

Seguindo o padrão do Novo Testamento, cada igreja se reúne regularmente no primeiro dia de cada semana. Este é conhecido nas Escrituras como o Dia do Senhor, o dia em que Jesus venceu a morte e ressuscitou da sepultura. Nós não vemos isso como alguma espécie de sábado. Cada dia é sagrado sob o Novo Testamento (Hebreus 4, Colossenses 2:16-17, Gálatas 4:8-11).

As portas da casa na qual se dará o culto se abrem às 10:00h (na igreja da manhã) ou 16:00h (na igreja da tarde) e os cânticos começam pontualmente meia hora depois. Assim, você pode ver que há um espaço de 30 minutos para todos chegarem, tomarem assento, conversarem, tomarem café, etc. Por favor, tente estacionar do mesmo lado da rua no qual a casa do culto estiver localizada. Isso diminuirá a probabilidade de que nossos carros estrangulem o tráfego da rua.

Nossa forma de vestir é casual e confortável. Ninguém usa gravata. As senhoras vestem algo como vestidos confortáveis, calças ou simples shorts. As crianças usualmente acabam indo brincar no quintal depois do culto e, portanto vestem-se com roupas de brincar e sapatos. Não é raro as crianças se sujarem.

A reunião em si mesma é espontânea e interativa (nada de boletim!), por causa de I Coríntios 14:25, Nada é planejado, exceto o horário de início do primeiro cântico (10:30h ou 16:30h). Às vezes, cantamos muito, às vezes bem menos. Em um domingo três irmãos podem pregar, enquanto em outras semana ninguém prega. Às vezes, oramos por longo tempo, outras vezes muito pouco. Todos os irmãos podem participar verbalmente, mas tudo o que for dito deverá ser para edificação de toda a igreja (14:26). Apenas a uma pessoa por vez é permitido que se dirija à igreja e tudo é feito adequadamente e com ordem.Todos os ensinamentos e profecias são passíveis de exame e julgamento pelo público. Não existe um moderador nem introdutor. De fato, a menos que exista algum problema a resolver, você nem saberá quem são nossos líderes (nós temos dois anciãos)!

Pessoas indagativas quererão saber que a maioria de nós adota as doutrinas  da graça, teologia do novo concerto (www.ids.org), infalibilidade da Bíblia e a declaração de Denver sobre a condição do homem e da mulher (www.cbmw.org). Você pode acessar mais informações sobre igrejas domiciliares em www.ntrf.org (N. do T. – Esses sites são em inglês, à exceção do www.ntrf.org, que tem uma seção em português).

As crianças permanecem conosco no culto, ainda que as bem pequeninas sejam barulhentas. Nesses casos, seus pais as levarão para fora, até que se acalmem.  Se você tem crianças, é ideal que você traga algumas coisas que as mantenham ocupadas, como lápis e desenhos para colorir ou brinquedos que não façam ruídos. As crianças usualmente se sentam no chão perto de seus pais. Acreditamos que seja tarefa dos pais (e não da igreja) ensinar seus filhos sobre Jesus. Assim, propositalmente não temos escola dominical nem classes separadas para as crianças.

As mulheres não falam ou oram publicamente nos cultos de I Coríntios 14 (sim, nós sabemos que isso é difícil de aceitar, mas veja I Coríntios 14:33-35 e verá de onde isso provém). Em contraste, as irmãs falam o quanto desejam durante a comunhão da Ceia do Senhor!

A Ceia do Senhor é uma parte integrante do nosso encontro e começa perto do meio-dia. Realmente, ela é a razão principal para que nos encontremos cada semana. Nós a comemos como uma refeição completa, como determina I Coríntios 11:17-34. Ela é “o que tiver”, com cada um trazendo alguma coisa para repartir com os outros. Cremos que ela deva ser uma refeição verdadeira, para tipificar o banquete das bodas do Cordeiro. É um momento de grande congraçamento e estímulo e muito mais parecido com uma festa de casamento do que com um funeral. No meio de todas as comidas, você perceberá um copo (atualmente, uma jarra plástica) e um pão, representando o sangue de nosso Senhor. Nós acreditamos que isso foi originalmente criado para relembrar Jesus de Sua promessa de retornar e participar da ceia novamente com Seu povo. Sinta-se à vontade para participar do pão e do fruto da vinha quando você passar por eles na fila, servindo-se dos alimentos. Não há uma hora determinada para o fim do culto. Cada um se retira depois de haver almoçado e usufruído do congraçamento que deseje.

Resumindo, cremos que os padrões para a vida da igreja evidenciados no Novo Testamento não são meramente descritivos, mas são determinações (II Timóteo 2:15, I Coríntios 11:2) Assim, acreditamos em igrejas baseadas em domicílios e em congraçamentos reduzidos, servidos por anciãos - ao invés de cultos dirigidos pela igreja, acreditamos no ministério de obreiros itinerantes, cultos interativos e que a Ceia do Senhor e que o banquete do amor (Ágape) são eventos semanais sinônimos.  Talvez auxilie ler I Coríntios 11:17-34 e I Coríntios 14:26-40 antes de vir.

Para nós, a verdadeira vida da “igreja” ocorre cada dia, quando vemos um ao outro, durante a semana, a semana toda. Para facilitar isso, damos uma elevada prioridade a viver tão próximos uns dos outros, quanto possível. O grupo principal vive na mesma vizinhança. Assim, as atividades do Dia do Senhor descritas acima são apenas o “chantilly da torta”. Avaliar-nos baseados somente no que se pode observar num culto dominical será uma análise incompleta!

Nossas igrejas são comprometidas a cultuar e viver tão simplesmente quanto possível, de acordo com o que se pode ler e entender sobre o que o seja o padrão da igreja do Novo Testamento. Sabemos que o panorama que oferecemos você ainda não é completo. Nós somos um trabalho em desenvolvimento! Tentamos tomar um assunto de cada vez e chegar a um consenso bíblico, antes de nos mover para outro assunto. Todos são importantes e idealmente ninguém é “atropelado” ou desprezado. Isso quer dizer que às vezes nos movemos lentamente, mas com um elevado grau de paz e unidade. Por isso é que temos sido abençoados e somos agradecidos.

Até o Dia do Senhor!  

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A maneira de Culto do Novo Testamento

Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.
Se alguém falar em língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e cada um por sua vez, e haja um que interprete.
Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.
E falem os profetas, dois ou três, e os outros julguem.
Mas se a outro, que estiver sentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.
Porque todos podereis profetizar, cada um por sua vez, para que todos aprendam e todos sejam consolados, pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.  Porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz.
Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei.
E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja.
Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?
Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.
Mas, se alguém ignora isto, ele é ignorado.
Portanto, irmãos, procurai com zelo o profetizar e não proibais o falar em línguas.
Mas faça-se tudo decentemente e com ordem (I Coríntios 14:26-40).

A maneira de Culto Atual

Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais, o pastor tem doutrina e o ministro de música tem salmos. Faça-se tudo para a cerimônia.
Se alguém mais que o pastor tem doutrina, não o deixe falar – deixe que ele permaneça na sua paz. Deixe que ele se sente no banco, olhando para a nuca de quem está sentado na sua frente.
Deixe que as pessoas mantenham silencio na igreja, pois não lhes é permitido falar, mas permanecerem sob submissão, como manda a tradição da igreja. Isso, porque o pastor tem formação num seminário e o irmão leigo não ostenta tão elevada formação.
Se um homem deseja permanecer como membro da igreja, deixe que ele saiba que o que eu escrevo para vocês são as ordens do escritório central da denominação. Mas, se algum homem ignorar isso, ele será prontamente escoltado para fora da porta pelos diáconos.
De toda maneira, irmãos, não cobice o falar na igreja. Deixe que todas as coisas sejam feitas decentemente e em ordem, tal como está escrito no boletim da igreja.

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Trecho da Apologia de Tertuliano
(Tertuliano viveu por volta do ano 200 da nossa era)

 “Nós somos uma sociedade com sentimentos religiosos comuns, unidade de disciplina e comuns laços de esperança. Reunimo-nos em assembléias e congregações para nos aproximarmos de Deus em oração, unificando nossas forças para envolve-Lo... Reunimo-nos para ler as divinas Escrituras... Nossos dirigentes são anciãos de caráter comprovado...
Se aqui existe um tesouro de alguma forma, ele não foi construído com dinheiro pago por taxas de iniciação, como se religião fosse uma questão de contrato.  Todo o homem, uma vez ao mês, traz alguma modesta contribuição - ou quando ele o deseja, se deseja e apenas se ele o deseja. Ninguém é obrigado a nada, as ofertas são voluntárias... para alimentar aos pobres, para enterrá-los e para meninos e meninas que perderam seus pertences e seus pais e foram escravizados...

Nós, que somos unidos pela mente e pela alma, não hesitamos em repartir nossas propriedades. Tudo é comum entre nós – exceto nossas esposas. Neste ponto, nossa parceria acaba...

Nossas refeições demonstram sua concepção já em seu nome – eles são chamadas pelo nome grego para amor... Nós não tomamos nosso lugar à mesa sem ter antes orado ao Senhor. Comemos apenas até termos a fome saciada. Depois da água para as mãos, vêm as luzes – então, cada um, de acordo com o que aprendeu das Escrituras ou de seu próprio coração, é chamado, antes do descanso, para cantar ao Senhor.

Dessa maneira, orações encerram o banquete...”

                                 (Livro da Civilização Romana, Tomo II, O Império, pág.588)

                                                                             

                                                                                      Tradução de Otto Amaral

 

(*) Steve e sua esposa Sandra vivem no norte da Geórgia (Estados Unidos), com seus três filhos, aos quais ministraram educação formal em casa. Steve formou-se na Georgia Tech e trabalhou em eletrônica industrial antes de ir para o seminário. Depois de graduado Mestre em Divindade pelo Mid America Baptist Theological Seminary, em Memphis, serviu por sete anos como pastor da Igreja Batista do Sul. Ele demitiu-se em 1990 para trabalhar com igrejas que desejavam seguir as tradições apostólicas em suas práticas. Ele viaja e ensina onde o Senhor abre as portas da oportunidade. Steve é também ancião na igreja domiciliar que ajudou a fundar em 1990, além de ser professor, palestrante itinerante e presidente da NTRF (Fundação para Restauração do Novo Testamento), autor dos livros The practice of the Early Church: A Theological Workbook, do Equipping Manual e é editor e autor de artigos do livro Ekklesia: To the Roots of Biblical House Church Life.

 

 

 
 
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     Atualização de 15 de setembro -
    LEIA O NOVO ARTIGO:

   - QUEM MATOU JESUS?

    Interessante estudo sobre as pessoas e
     as entidades que, no plano terreal, foram
     instrumentos na concretização do drama
     do Calvário.
     Análise bíblica e jurídica do processo for-
     jado contra Jesus para levá-lo à morte.
     E se Ele voltasse hoje, nas mesmas con-
     dições, como seria?
     Quem quereria matá-lo de novo?

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